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O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), avançou 1,2 ponto em maio, atingindo 88,7 pontos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29).

Este é o segundo mês consecutivo de crescimento, com a média móvel trimestral subindo 1,0 ponto, para 86,4 pontos — resultado que indica uma leve recuperação após perdas registradas nos primeiros meses do ano.

Segundo o economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, o desempenho de maio reflete uma melhora nas avaliações sobre o momento atual do setor. “Ainda não há uma recuperação completa, mas o resultado já sinaliza uma demanda corrente mais favorável. O mercado de trabalho aquecido e a evolução da renda ajudam a explicar essa melhora, embora o cenário macroeconômico continue restritivo, com juros altos e inflação acima da meta, o que mantém os empresários cautelosos”, afirma.

Melhora na Confiança do Comércio acontece em três dos seis principais segmentos

A melhora da confiança foi observada em três dos seis principais segmentos do comércio, com destaque para o Índice de Situação Atual (ISA-COM), que cresceu 5,2 pontos, alcançando 93,4 pontos. A percepção sobre a situação atual dos negócios teve avanço expressivo de 7,5 pontos, chegando a 95,4 pontos. Já o indicador de volume da demanda atual subiu 3,0 pontos, marcando 91,6 pontos.

Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE-COM) apresentou queda de 3,0 pontos, recuando para 84,5 pontos. Os dois principais componentes desse índice seguiram a mesma tendência: a expectativa de vendas nos próximos três meses caiu 3,6 pontos (82,8 pontos), enquanto a projeção para os negócios nos próximos seis meses recuou 2,3 pontos (86,7 pontos). O movimento indica incerteza quanto à sustentabilidade da recuperação no curto prazo.

Outro sinal de alerta veio do Indicador de Desconforto do Comércio, que voltou a crescer e atingiu o maior nível desde maio de 2022. O indicador capta os principais entraves percebidos pelo setor, como demanda insuficiente, custo financeiro e dificuldade de acesso ao crédito. “A diferença agora é que o custo financeiro e o crédito se tornaram os principais fatores de desconforto, substituindo a demanda fraca como principal preocupação”, explica Tobler.

Apesar da recuperação parcial, os dados reforçam que o caminho da confiança no setor deve ser marcado por oscilações, com o ambiente macroeconômico e o aperto nas condições financeiras ainda limitando uma retomada mais robusta.

Clique aqui para acessar o estudo na íntegra.

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