Os brasileiros gastaram US$ 6,58 bilhões no exterior entre janeiro e abril deste ano, pressionando as contas externas brasileiras, que registraram déficit 52% maior no ano. Contudo, os investimentos estrangeiros diretos ajudaram a cobrir o rombo. Os dados foram divulgados pelo Banco Central na segunda-feira (26).
O montante gasto no exterior representa o maior valor para o período desde 2015, quando as despesas somaram US$ 6,87 bilhões.
O dado reforça a tendência de recuperação no consumo externo, impulsionada por um câmbio mais favorável e aumento da renda.
Apesar de a moeda norte-americana operar atualmente em alta, cotada a R$ 5,68 (cotação de segunda-feira, 26), a divisa acumula queda de 8,64% na parcial de 2025. Mesmo assim, o dólar ainda se mantém acima da média histórica recente.
Somente em abril, os brasileiros desembolsaram US$ 1,68 bilhão no exterior, o maior valor para o mês desde 2014, quando somou US$ 2,34 bilhões.
O movimento é observado com atenção, especialmente diante do anúncio de aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para compra de moeda estrangeira feito na semana passada pela equipe econômica do governo Lula (PT).
A medida não afeta remessas destinadas a investimentos, mas pode conter parte da pressão sobre o câmbio, sobretudo às vésperas de 2026, ano eleitoral, quando há tendência histórica de valorização do dólar.
Déficit em contas externas cresce 52% no ano
O avanço dos gastos no exterior contribuiu para a deterioração das contas externas brasileiras. O déficit em transações correntes – que inclui balança comercial, serviços e rendas – somou US$ 21,43 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, um aumento de 52% frente ao mesmo período de 2024. Em abril, o saldo negativo foi de US$ 1,35 bilhão.
A principal explicação para a piora é o recuo no superávit comercial, que caiu de US$ 24,1 bilhões em 2024 para US$ 14,9 bilhões neste ano. Como o país cresce, importa mais e consome mais serviços, o que amplia o desequilíbrio externo.
A expectativa do Banco Central é que o déficit em conta corrente alcance US$ 58 bilhões ao fim de 2025, pouco abaixo dos US$ 60 bilhões registrados no ano passado.
Investimento estrangeiro direto recua, mas ajuda a cobrir rombo
Apesar do agravamento nas contas externas, os investimentos estrangeiros diretos (IED) foram suficientes para cobrir o déficit no período.
O Brasil recebeu US$ 27,3 bilhões em IED (Investimento Estrangeiro Direto) de janeiro a abril deste ano, uma queda em relação aos US$ 28,5 bilhões do mesmo período de 2024. Em abril, o fluxo foi de US$ 5,5 bilhões, superando os US$ 3,9 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.
Mesmo com a leve retração, os investimentos seguem robustos e dentro da projeção do Banco Central, que estima um ingresso de US$ 70 bilhões em IED até o fim de 2025.