Os mercados mundiais iniciam a semana em trajetória positiva, apoiados pelo avanço das apostas de que o Federal Reserve, o banco central estadunidense, poderá reduzir os juros já na próxima reunião. O movimento ganhou força após o presidente do Fed de Nova York, John Williams, sinalizar que há espaço para cortes sem ameaçar o combate à inflação ou o mercado de trabalho.
As projeções do CME FedWatch apontam cerca de 70% de probabilidade para uma redução de 0,25 ponto percentual — um salto relevante frente aos 44% observados na semana encerrada em 14 de novembro.
No Brasil, o Ibovespa deve enfrentar menor liquidez devido ao feriado de Ação de Graças, que limita o funcionamento dos mercados norte-americanos entre quinta e sexta-feira (27 e 28). Ainda assim, investidores permanecem atentos às sinalizações do Fed, enquanto dirigentes regionais da instituição divergem nos discursos sobre a calibragem da política monetária.
A agenda doméstica concentra indicadores importantes, incluindo o Relatório Focus, arrecadação federal e balança comercial, além de fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O cenário político também tende a influenciar os preços, após a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no fim de semana — tema que será analisado hoje pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) e que pode ter reflexos no tabuleiro eleitoral de 2026.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (21) em queda de 0,39%, aos 154.770 pontos, em um pregão marcado por baixa liquidez. Com o recuo da sessão, o índice acumulou a primeira semana negativa desde outubro, somando perda de 1,88% depois de cinco semanas seguidas de alta. Foi também a primeira vez, desde julho, que todos os pregões da semana ficaram no vermelho — ainda que, desta vez, tenham sido apenas quatro dias úteis por causa do feriado.
O câmbio também sentiu o clima mais estressado: o dólar comercial subiu 1,18%, fechando a R$ 5,401. Já os juros futuros (DIs) terminaram o dia com comportamento misto.
O tema que dominou a sexta-feira foi a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa extra de 40% sobre 249 produtos agropecuários brasileiros.
Europa
Os mercados europeus avançam em linha com o otimismo global diante da renovada expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro. A agenda na região é fraca, enquanto o Reino Unido se antecipa ao Orçamento de Outono, que pode incluir aumentos de impostos propostos por Rachel Reeves. Investidores também monitoram as negociações entre EUA e Ucrânia por um plano de dessar-fogo, após críticas à primeira proposta, vista como favorável à Rússia.
STOXX 600: +0,58%
DAX (Alemanha): +1,09%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,46%
CAC 40 (França): +0,40%
FTSE MIB (Itália): -0,25%
Estados Unidos
Os índices futuros de Nova York tentam recuperar fôlego na semana marcada pelo feriado de Ação de Graças, após a correção que interrompeu o forte rali das empresas de inteligência artificial em 2025. Mesmo com os ganhos do ano, os índices ainda acumulam quedas em novembro, refletindo uma reavaliação das altas valuations do setor tecnológico. A Bolsa dos EUA ficará fechada na quinta-feira e terá pregão reduzido na sexta, até as 13h no horário da Costa Leste.
Dow Jones Futuro: +0,36%
S&P 500 Futuro: +0,67%
Nasdaq Futuro: +0,95%
Ásia
Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam em alta após John Williams, do Federal Reserve de Nova York, indicar a possibilidade de um terceiro corte de juros ainda este ano. Ele afirmou que a fraqueza do mercado de trabalho preocupa mais do que a inflação, reforçando espaço para novas reduções. As bolsas do Japão não operaram devido a feriado nacional.
Shanghai SE (China), +0,05%
Nikkei (Japão): fechado por feriado
Hang Seng Index (Hong Kong): +1,97%
Nifty 50 (Índia): +0,04%
ASX 200 (Austrália): +1,29%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em baixa nesta segunda-feira, ampliando as perdas da semana passada, à medida que as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia se aproximavam de uma solução e o dólar se fortalecia.
Petróleo WTI, -0,38%, a US$ 57,84 o barril
Petróleo Brent, -0,34%, a US$ 62,35 o barril
Agenda
Nos EUA, é esperado o índice de Atividade Nacional (CFNAI) de outubro.
Por aqui, no Brasil, governos chegaram no último sábado a um acordo climático de compromisso na COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) no Brasil, que aumenta o financiamento para as nações pobres que estão enfrentando o aquecimento global, mas omite qualquer menção aos combustíveis fósseis que o impulsiona. Ao garantir o acordo, os países tentaram demonstrar unidade global na abordagem dos impactos da mudança climática, mesmo depois que o maior emissor histórico do mundo, os Estados Unidos, se recusaram a enviar uma delegação oficial.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg