O déficit comercial dos Estados Unidos alcançou um novo patamar histórico em 2025, segundo números divulgados nesta quinta-feira (19) pelo governo americano. O resultado veio mesmo após a política do tarifaço implementada pelo presidente Donald Trump, que tinha como um dos principais objetivos reduzir o desequilíbrio nas contas externas do país.
De acordo com dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o déficit apenas na balança de bens chegou a US$ 1,24 trilhão no ano passado — um leve avanço em relação a 2024.
Apesar disso, o rombo comercial com a China apresentou recuo no acumulado do ano, refletindo mudanças no fluxo de importações e exportações entre as duas maiores economias do planeta.
Quando se somam bens e serviços, o déficit comercial total dos EUA ficou em US$ 901,5 bilhões em 2025, uma pequena redução frente aos US$ 903,5 bilhões registrados em 2024. Ou seja, embora o saldo negativo de mercadorias tenha crescido, o resultado geral apresentou discreta melhora.
Dezembro surpreende com alta acima do esperado
No último mês do ano, no entanto, os números frustraram as expectativas. Em dezembro, o déficit total avançou 32,6%, atingindo US$ 70,3 bilhões.
O aumento foi puxado por dois movimentos simultâneos: queda nas exportações e crescimento das importações
As vendas externas de suprimentos industriais — incluindo ouro não monetário — recuaram, enquanto as compras externas nessa mesma categoria aumentaram. Além disso, as importações de bens de capital, como equipamentos de informática e telecomunicações, voltaram a crescer no período.
Impacto do tarifaço
Ao longo de 2025, o comércio exterior dos Estados Unidos foi fortemente impactado pelo novo pacote tarifário anunciado por Trump. As medidas atingiram produtos de praticamente todos os parceiros comerciais do país e elevaram a tarifa média efetiva americana ao nível mais alto desde a década de 1930.
No caso da China, a redução do déficit ocorreu após uma escalada de retaliações tarifárias entre Washington e Pequim ao longo do ano passado. Posteriormente, as duas potências sinalizaram uma diminuição das tensões, o que ajudou a estabilizar parte dos fluxos comerciais.