O dólar à vista fechou em queda nesta quinta-feira (6), cotado a R$ 5,1055, recuo de 0,41%, depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir cortar a taxa Selic para 14% ao ano. O movimento aqui foi na direção contrária à da moeda americana no exterior: por volta das 17h, no horário de Brasília, o índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo o euro e a libra, subia 0,29%, aos 99.964 pontos.
Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, a B3, fechou em forte baixa de 1,23%, aos 175,5 mil pontos, com o mercado reagindo à combinação entre petróleo mais caro e a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos.

O que mexeu com o dólar e a Bolsa
O petróleo do tipo Brent, referência internacional, subiu 3,83% no fechamento, a US$ 82,49 o barril, depois de ter avançado apenas 1,36% ainda pela manhã, quando estava em US$ 80,53. Já o WTI, referência para o mercado americano, fechou com alta de 3,14%, a US$ 77,58. A commodity subiu em meio à incerteza sobre a viabilidade de uma trégua duradoura entre Estados Unidos e Irã: uma nova rodada de negociações entre os dois países havia sido anunciada no fim de semana, mas ainda sem sinal claro de acordo.
Como o Brasil é exportador de petróleo, a alta da commodity também ajudou o real a se valorizar frente ao dólar.
Juros no Brasil
O mercado também repercutiu o quarto corte seguido de 0,25 ponto percentual na Selic, definido pelo Copom em reunião na quarta-feira (5), levando a taxa básica de juros a 14% ao ano. A decisão já era amplamente esperada pelos analistas e foi aprovada por unanimidade. O comunicado divulgado pelo Banco Central veio mais curto que o de junho, sem indicar o que deve acontecer na próxima reunião do Copom, em setembro. O Comitê condicionou uma nova queda, ou mesmo uma pausa nos cortes, à melhora das expectativas de inflação, à continuidade da desaceleração da atividade econômica e ao enfraquecimento do mercado de trabalho, sem trazer sinais além do esperado pelo mercado.
Juros nos Estados Unidos
No cenário internacional, o mercado também passou a monitorar a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos. Segundo reportagem do jornal britânico Financial Times, o presidente do Federal Reserve, banco central americano, Kevin Warsh, estaria disposto a elevar os juros do país caso os dados mostrem que a inflação continua resistente nas próximas semanas.
Essa possibilidade aumentou a expectativa para a divulgação, nesta sexta-feira (7), do payroll, um dos principais indicadores do mercado de trabalho americano, que pode indicar o quão aquecida está a economia dos Estados Unidos. Economistas consultados pela agência Reuters esperavam que o relatório mostrasse 80 mil contratações em julho, acima das 57 mil de junho, com a taxa de desemprego seguindo em 4,2%.
Uma eventual alta de juros nos Estados Unidos tende a mexer com os mercados globais, já que torna os títulos da dívida americana, os Treasuries, mais atrativos para os investidores e reduz o interesse por ativos de risco, como as ações negociadas em Bolsa.