O dólar fechou nesta quarta-feira (5) praticamente estável, com leve queda de 0,06% frente ao real, cotado a R$ 5,1283. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também teve variação mínima, com baixa de 0,11%, aos 177,6 mil pontos. A sessão foi morna, com diferentes fatores atuando sobre o mercado sem que nenhum deles conseguisse puxar o câmbio ou as ações de forma expressiva para cima ou para baixo.
O principal fator de influência global segue sendo a guerra entre Estados Unidos e Irã. Desde o fim de semana, há expectativa de negociação entre os dois países, mas as conversas avançam de forma irregular, com sucessivos avanços e recuos. Esse cenário de incerteza afetou o preço do petróleo, que vinha em queda ao longo da semana, mas nesta quarta o barril do tipo Brent subiu 0,11%, para US$ 79,45, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 0,57%, para US$ 75,34.

Mercado de trabalho americano desacelera
Os investidores também acompanharam novos dados sobre o emprego nos Estados Unidos. Segundo o relatório ADP, a criação de vagas no setor privado americano perdeu força em julho, com a abertura de 44 mil postos, bem abaixo dos 95 mil registrados em junho e também aquém da expectativa do mercado, que previa 70 mil novas vagas. O resultado reforça, ainda que parcialmente, os sinais de desaceleração da economia americana, o que tende a reduzir a pressão por uma alta nos juros dos Estados Unidos.
No campo da política monetária americana, dirigentes do Federal Reserve também se manifestaram ao longo do dia. Tanto Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, quanto Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, defenderam a manutenção de uma política monetária mais rígida. No Brasil, o câmbio seguiu essa tendência global: por volta das 16h15, o índice que mede a força do dólar frente a uma cesta de outras moedas fortes recuava 0,17%.
Todos os olhos na decisão do Copom
No ambiente interno, a grande expectativa do dia estava concentrada na decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central sobre a Selic, anunciada no início da noite desta quarta, após reunião com previsão de encerramento às 18h30. O mercado apostava fortemente em um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,25% para 14% ao ano. A dúvida que ainda pairava era sobre quais sinais o Copom daria para o próximo encontro do colegiado, em setembro.
Corrida presidencial também mexe com o câmbio
O dólar também perdeu força depois que o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou, no fim da manhã desta quarta, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-PB) como seu vice na chapa à Presidência. O risco político ligado às eleições presidenciais de outubro tem sido apontado como uma das principais ameaças para o real neste momento, já que nem o presidente Lula nem Flávio Bolsonaro parecem comprometidos com o controle dos gastos públicos. Ainda assim, o mercado segue remunerando bem quem mantém posições em real, e a expectativa é de que a moeda brasileira continue com desempenho melhor do que o previsto anteriormente.