Dólar em queda histórica impulsiona corrida por títulos de mercados emergentes

Volatilidade política nos EUA e expectativa de cortes de juros em países em desenvolvimento atraem capital global para dívidas locais
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A forte desvalorização do dólar e o ambiente político instável nos Estados Unidos estão impulsionando uma migração significativa de investidores globais para títulos de dívida local em mercados emergentes. No primeiro semestre de 2025, esses ativos registraram o melhor desempenho desde 2009, com retorno superior a 12%, segundo dados da Bloomberg — superando os títulos emitidos em moeda forte, que avançaram 5,4% no mesmo período.

O movimento reflete uma perda de confiança no dólar, que já acumula queda de quase 11% no ano — o pior desempenho desde os anos 1970. O dólar recuou frente a 19 das 23 principais moedas emergentes, com perdas superiores a 10% em dez delas.

O fluxo de capital acompanha essa tendência: segundo o Bank of America, fundos de dívida de mercados emergentes já receberam mais de US$ 21 bilhões em 2025, com onze semanas consecutivas de entradas. Somente na semana encerrada em 2 de julho, o volume foi de US$ 3,1 bilhões, de acordo com a EPFR Global.

Dólar em baixa e ganhos na América Latina

A América Latina lidera os ganhos nessa corrida. Os Mbonos, títulos do México, acumularam valorização de 22% no semestre, enquanto alguns papéis do governo brasileiro renderam mais de 29%.

À Bloomberg, Adriana Cristea, da Pictet Asset Management, disse que o ciclo de alta dos juros já foi encerrado em vários desses países, criando um ambiente mais favorável para os investidores.

Com fundamentos mais sólidos e risco geopolítico moderado, alguns países já planejam ampliar emissões. Gana, por exemplo, deve voltar ao mercado no fim de 2025. Já Israel e Irã vêm reduzindo tensões, o que beneficia a estabilidade dos mercados locais.

Bolsa brasileira

A primeira metade de 2025 foi marcada por um desempenho expressivo da bolsa brasileira. O Ibovespa registrou uma valorização de 15,44% no semestre, superando o resultado do mesmo período de 2024, quando o índice apresentou queda. Em termos de rentabilidade, o resultado coloca o Brasil entre os mercados mais lucrativos do mundo — principalmente quando se considera a variação em dólares.

Segundo levantamento exclusivo da consultoria Elos Ayta para o InfoMoney, até o dia 27 de junho, o Ibovespa acumulava alta de 28,67% em dólar e 13,79% em reais, garantindo ao Brasil a 7ª posição entre os principais índices globais no semestre.

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