O dólar encerrou esta sexta-feira (6) em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,5115, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no mercado internacional. Os investidores reagiram aos dados de emprego dos Estados Unidos e acompanharam as sinalizações sobre a política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com o resultado, a moeda acumulou valorização de 1,20% frente ao real na semana. Na quinta-feira (5), o dólar havia fechado a R$ 5,4876, com alta de 0,67%, em meio à maior aversão ao risco nos mercados financeiros.
O principal fator externo desta sexta-feira foi a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, que mostrou a criação de 165 mil vagas de trabalho em outubro, acima das 65 mil esperadas por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego também recuou para 4,1%.
Os números reforçaram as expectativas de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, mantenha uma política monetária mais restritiva para conter a inflação. Juros elevados nos Estados Unidos tendem a atrair investimentos para ativos denominados em dólar, pressionando moedas de países emergentes, como o real.
Mercado reage à força da economia americana
O desempenho do mercado de trabalho americano impulsionou o dólar diante de outras moedas internacionais. O índice DXY, que mede a força da divisa frente a uma cesta de seis moedas, avançou cerca de 0,63%, alcançando 102,12 pontos.
Após a divulgação dos dados, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano também subiram, refletindo a expectativa de juros mais altos.
Segundo a Reuters, a probabilidade estimada pelo mercado de uma elevação de pelo menos 0,25 ponto percentual nos juros americanos em dezembro se aproximou de 80%, ante cerca de 67% no dia anterior.
O movimento ocorreu após uma semana de instabilidade nas bolsas internacionais, marcada por preocupações com o setor de tecnologia e possíveis mudanças regulatórias nos Estados Unidos.
Política econômica brasileira permanece no radar
No Brasil, os investidores acompanharam as discussões sobre as diretrizes econômicas do próximo mandato de Lula, após reuniões do presidente com integrantes do governo e conselheiros.
As expectativas em torno da política fiscal e das medidas que poderão ser adotadas a partir de 2027 contribuíram para a cautela no mercado de câmbio.
O cenário doméstico também foi influenciado pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4).
Embora os juros brasileiros elevados possam favorecer a entrada de capital estrangeiro, o fortalecimento global do dólar prevaleceu nesta sexta-feira.
No mercado futuro, o contrato de dólar para dezembro subia 0,05% às 17h14, negociado a R$ 5,5330 na B3.
Com o fechamento desta sexta-feira, a moeda americana completou mais uma semana de valorização, em um ambiente marcado pelas expectativas sobre os juros nos Estados Unidos e pela condução da política econômica brasileira.