O dólar fechou nesta quinta-feira (13) cotado a R$ 5,193, alta de 0,25%, na quarta sessão seguida de valorização e a maior cotação de fechamento desde 2 de julho, quando chegou a R$ 5,208. Só nesta semana, a moeda subiu de R$ 5,08 para R$ 5,18, variação de cerca de 2%. Segundo profissionais do mercado, dois fatores explicam o movimento: a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos ainda neste semestre e a preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira.
Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encadeou o oitavo pregão seguido de queda. O índice chegou a subir cerca de 0,56% por volta das 11h, aos 168.433 pontos, mas perdeu força ao longo do dia e fechou em baixa de 0,23%, aos 167.100 pontos, o menor patamar desde 20 de janeiro.

Por que o dólar sobe e a Bolsa cai
A saída de recursos estrangeiros tem pesado sobre a Bolsa brasileira, já que os investidores internacionais respondem por cerca de 60% do giro diário de negócios na B3. Neste mês, o saldo entre entradas e saídas de capital estrangeiro está negativo em R$ 7,5 bilhões, embora o acumulado do ano ainda seja positivo, em R$ 33,8 bilhões.
A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos também influencia o fluxo global de capital: taxas maiores por lá tornam os títulos do governo americano mais rentáveis, o que atrai recursos de todo o mundo e reduz o interesse por países como o Brasil, fortalecendo o dólar.
Um dado divulgado nesta quinta-feira ajudou a aliviar um pouco essa tensão. O índice de preços ao produtor dos Estados Unidos ficou estável em julho na comparação com junho, segundo o Departamento do Trabalho americano, resultado abaixo da previsão de analistas consultados pela FactSet, que esperavam alta de 0,1% no mês. Na comparação anual, o índice subiu 4,7%, também abaixo da expectativa de 4,9%. O número reforça a leitura de que a inflação nos Estados Unidos segue no caminho esperado pelo Federal Reserve, banco central americano, e de que uma eventual alta de juros por lá deve ficar para outubro ou dezembro, e não para a próxima reunião do banco central.
No Brasil, um projeto aprovado pelo Senado na noite de quarta-feira (12) ampliou as dúvidas sobre a política fiscal do governo. A proposta permite cortar tributos sobre combustíveis e amplia incentivos para fertilizantes, minerais críticos, defesa, saúde e a Copa do Mundo Feminina de 2027. O texto também permite que até R$ 7,5 bilhões em despesas com a Defesa Nacional fiquem fora do limite do arcabouço fiscal em 2026, além de antecipar para este ano R$ 3 bilhões em recursos orçamentários previstos para 2027.
O receio é de que o aumento de gastos do governo mantenha mais dinheiro em circulação na economia, o que dificulta o trabalho do Banco Central de controlar a inflação e pode obrigar os juros a ficarem altos por mais tempo. Ainda que o projeto preveja mecanismos capazes de abrir cerca de R$ 10 bilhões de espaço fiscal em 2027, o mercado vê uma assimetria no texto: o aumento dos gastos em 2026 é imediato, enquanto a economia futura depende da aplicação efetiva desses mecanismos de contenção mais à frente.
Corporativo
Investidores também reagiram a uma série de balanços divulgados na noite de quarta-feira, entre eles Banco do Brasil, CVC, B3 e Americanas.
O Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 3,9 bilhões no trimestre, alta de 3,3%. A carteira de crédito expandida cresceu 1,5%, para R$ 1,3 trilhão em junho, com inadimplência acima de 90 dias em 5,61%. As ações do banco caíam 3,89% no fim da tarde, a R$ 18,26.
A Americanas ampliou o prejuízo no primeiro semestre, que somou R$ 603 milhões, alta de 1,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, mas melhorou o resultado operacional. A receita líquida da rede varejista somou R$ 6,39 bilhões no semestre, alta de 7,8% em um ano. As ações da empresa recuavam 6,65% no fim da tarde, a R$ 3,65.
A CVC registrou prejuízo de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre, alta de 56,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa de turismo atribuiu o resultado à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, que encareceu as passagens aéreas e pressionou as margens do negócio, além de R$ 24,1 milhões em despesas não recorrentes ligadas à reestruturação da companhia. As ações da CVC recuavam 5,19% no fim da tarde, a R$ 1,28.
Já a Rumo, operadora de ferrovias e serviços logísticos, teve lucro de R$ 688 milhões no trimestre, queda de 6% na comparação anual, mesmo com receita operacional líquida de R$ 3,94 bilhões, alta de 6,2% em um ano. As ações da empresa subiam 4,63% no fim da tarde, a R$ 13,56.