O e-commerce de micro e pequenas empresas brasileiras cresceu 1.200% nos últimos cinco anos, saltando de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024. Os dados fazem parte da 3ª edição do Dashboard de Comércio Eletrônico Nacional, elaborado pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), com base em informações da Receita Federal (clique aqui para ver a lista de produtos mais vendidos).
Pela primeira vez, o painel do e-commerce apresenta um recorte específico das empresas do Simples Nacional, que concentram boa parte das micro e pequenas empresas brasileiras.
Embora o e-commerce — ou comércio eletrônico — também tenha avançado entre empresas de médio e grande porte — com aumento de 220%, passando de R$ 49 bilhões para R$ 158 bilhões no período —, o ritmo de crescimento entre as MPEs impressiona e reforça a relevância desse segmento na digitalização da economia.
O secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Uallace Moreira, atribuiu parte desse crescimento ao impulso trazido pela pandemia de Covid-19 e, posteriormente, à recuperação econômica mais forte do que o esperado. “Esses números refletem as novas dinâmicas de mercado e o ritmo de expansão da economia brasileira, que superou as expectativas”, afirmou Moreira, lembrando que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024 — ambos acima das projeções iniciais.
Segundo ele, o crescimento do e-commerce é sustentado por políticas econômicas do atual governo, como os investimentos do Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano de Transformação Ecológica. “Crescimento não cai do céu”, destacou o secretário.
Medidas como a valorização do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil também estariam impulsionando o consumo das famílias e, por consequência, as vendas no e-commerce.
Diversificação do e-commerce e concentração regional
O painel revela que o e-commerce movimentou R$ 225 bilhões em 2024, alta de 14,6% em relação ao ano anterior e de 311% nos últimos cinco anos. Desde 2016, mais de R$ 1 trilhão foram transacionados via comércio eletrônico no país.
Entre os produtos mais vendidos no geral estão celulares (4,1% das vendas), livros (3,3%), refrigeradores (2,6%) e televisores (2,2%). Já entre as MPEs, destacam-se obras de plástico (2,7%), suplementos alimentares (2,1%) e livros (1,6%).
Os dados também mostram a forte concentração do e-commerce no Sudeste, que respondeu por 77,2% das vendas em 2024. Em seguida aparecem as regiões Sul (14,1%), Nordeste (5,5%), Centro-Oeste (2,5%) e Norte (0,6%). O padrão se repete no lado da demanda, com o Sudeste liderando em compras online (55,9%).
Ainda assim, o painel do e-commerce oferece recortes regionais que revelam produtos característicos de cada estado nas vendas das MPEs. No Rio Grande do Sul, por exemplo, destaca-se o vinho; em Goiás, os acessórios para tratores; em Minas Gerais, os calçados; e no Pará, o purê de açaí.
Estratégia de desconcentração
Para combater a desigualdade regional, o MDIC e a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) têm promovido ações de incentivo à digitalização nas regiões menos representadas.
Uma dessas iniciativas é o edital E-Commerce.BR, lançado em 2023, que selecionou 20 projetos de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste para receberem mentorias e apoio financeiro.
Após essa fase, nove projetos serão contemplados com R$ 380 mil cada. Três deles seguirão para a etapa de escala, em 2026, com novo aporte de R$ 500 mil e acompanhamento técnico da ABDI.
A expectativa é que programas como esse contribuam para tornar o comércio eletrônico mais acessível e distribuído pelo território nacional, ampliando as oportunidades para pequenos negócios em todas as regiões do país.