Poucas horas depois de entrar em vigor o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o tráfego pelo Estreito de Ormuz já apresentava aumento na movimentação de navios. Sites de monitoramento marítimo, como o Vessel Finder e o canal no YouTube da China Global Television Network (CGTN), registraram dezenas de embarcações circulando pela manhã desta quarta-feira (8).
O acordo, anunciado na terça-feira (7), prevê uma pausa nos ataques ao território iraniano durante duas semanas. Em contrapartida, o Irã se comprometeu a reabrir o estreito, vital para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.
Apesar da trégua, o Irã manteve alerta máximo. A Guarda Revolucionária declarou estar “com as mãos no gatilho” caso os Estados Unidos ou Israel retomem ofensivas, conforme reportagem da agência Tasnim.
Explosões na ilha iraniana de Sirri foram registradas, embora ainda não haja confirmação de novos ataques durante a manhã. O país também indicou que pode retaliar em refinarias e usinas de dessalinização de países vizinhos, pressionando mercados e infraestrutura regional.
Em situação normal, o Estreito de Ormuz registra uma movimentação de 1.229 passagens de navios registradas em um período de 11 dias (média de mais de 100 por dia). A rota é vital, movimentando um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial. Com a guerra, o tráfego reduziu 95%.
Negociações de paz em Islamabad
Delegações dos dois países se reunirão na sexta-feira (10) na capital do Paquistão, Islamabad, sob mediação do primeiro-ministro Shehbaz Sharif. A expectativa é avançar para um acordo definitivo, com base em uma proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã e discutida com os EUA.
Entre os pontos principais, estão: manutenção do controle iraniano sobre o estreito, suspensão de sanções, revogação de resoluções internacionais e compensações econômicas. O período de duas semanas da trégua permitirá ajustes finais, segundo autoridades estadunidenses e iranianas.
Perspectiva norte-americana e reações iranianas
O presidente Donald Trump afirmou que os objetivos militares dos EUA já foram cumpridos e que a trégua facilita a conclusão do acordo de paz. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou a suspensão das ações defensivas, garantindo a passagem segura pelo estreito mediante coordenação com suas forças armadas.
A mídia estatal iraniana, porém, classificou a trégua como um “recuo humilhante” dos EUA, destacando que o conflito ainda não terminou e reiterando exigências de fim das sanções e liberação de ativos.
Estreito de Ormuz: corredor estratégico e delicado
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, com apenas 33 km de largura no ponto mais estreito e canais de navegação de 3 km em cada direção. Países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) como Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque dependem desse corredor para exportar petróleo, principalmente para a Ásia.
Bloqueios anteriores impactaram fortemente os preços globais de energia, e alternativas como oleodutos existentes oferecem capacidade limitada para desviar o trânsito de petróleo. A abertura do estreito durante o cessar-fogo representa, portanto, uma medida crucial para a estabilidade do mercado internacional.