Exportadores de soja dos Estados Unidos enfrentam perdas bilionárias em 2025 com a redução das compras da China, diante do prolongamento das tensões comerciais entre os dois países. O gigante asiático já teria concluído a reserva de cerca de 8 milhões de toneladas de soja para embarque em setembro — todas oriundas da América do Sul.
Segundo informações da agência de notícias chinesa Xinhua, a China importou 10,62 milhões de toneladas de soja do Brasil em junho de 2025, um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume importado a partir do Brasil correspondeu a 86,6% do total das importações chinesas do grão no mês, segundo dados divulgados recentemente pela Administração Geral das Alfândegas.
Dados oficiais também destacam que a China importou um total de 12,26 milhões de toneladas de soja em junho, um recorde para o mês e alta de 10,3% na comparação anual.
Para outubro, os compradores da China já garantiram 4 milhões de toneladas adicionais, também do Brasil e de países vizinhos. O volume representa metade da demanda esperada para o mês, o que indica uma estratégia de formação antecipada de estoques para evitar riscos de abastecimento no quarto trimestre, segundo analistas do setor.
Exportadores americanos perdem espaço na janela de pico da China
Tradicionalmente, os EUA concentram seus embarques de soja para a China entre setembro e janeiro, antes da entrada da nova safra sul-americana. No entanto, neste ano, a ausência prolongada de compras chinesas ameaça reduzir ainda mais essa janela crítica de exportação. Em 2024, os EUA venderam cerca de 7 milhões de toneladas de soja para a China nesse mesmo período.
Com o volume atual reservado para setembro e outubro vindo exclusivamente da América do Sul, o espaço para a soja americana se estreita. O cenário já afeta os preços: os futuros da oleaginosa em Chicago estão próximos das mínimas de cinco anos.
Tarifas e política externa agravam o quadro
Apesar de uma recente extensão da trégua tarifária entre EUA e China por mais 90 dias, as tarifas sobre a soja americana — atualmente em 23% — continuam em vigor, tornando o produto não competitivo frente ao brasileiro.
Especialistas acreditam que um acordo entre os dois países até novembro poderia reabrir espaço para a soja dos EUA, ainda que tarde para recuperar as perdas da principal temporada. Nesse cenário, os embarques americanos poderiam pressionar as vendas das novas safras brasileiras.
Soja dos EUA é mais barata — mas ainda sem vantagem
Sem considerar tarifas, a soja americana para embarque em outubro está cerca de US$ 40 por tonelada mais barata que o produto brasileiro, segundo traders. Mesmo assim, o custo adicional imposto pela política tarifária de Pequim mantém o Brasil como o fornecedor mais atrativo no curto prazo.
Além disso, a China está bem abastecida, após meses de importações recordes. Em 2024, o país comprou 105 milhões de toneladas de soja, sendo 22,13 milhões dos EUA (US$ 12 bilhões). A tendência, contudo, é de diversificação — e de maior dependência do Brasil.