O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou nesta quarta-feira (18) que desembolsou R$ 37,2 bilhões a credores do conglomerado Master, montante equivalente a 92% do total estimado para pagamento. O balanço considera operações concluídas até as 10h do mesmo dia.
Em número de beneficiários, cerca de 653 mil credores já receberam os valores, o que corresponde a 84% do público apto à garantia. Os pagamentos contemplam clientes do Banco Master, do Banco Master de Investimentos e do Letsbank, todos sob liquidação extrajudicial.
Entidade privada e sem fins lucrativos que integra o Sistema Financeiro Nacional (SFN), o FGC atua como mecanismo de proteção a depositantes e investidores, além de instrumento de contenção de crises bancárias. A intervenção no conglomerado Master tornou-se um dos maiores testes recentes da capacidade operacional e financeira do fundo.
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado, após a instituição enfrentar deterioração financeira associada ao alto custo de captação e à exposição a ativos considerados de risco elevado, com taxas acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, incluindo negociações com o Banco de Brasília (BRB), não prosperaram diante de questionamentos de órgãos de controle, críticas à transparência das operações e pressões políticas.
Volume total pode chegar a R$ 51,8 bilhões
O FGC estima que deverá desembolsar cerca de R$ 51,8 bilhões para cobrir garantias relacionadas à liquidação dos bancos Master, Will Bank e Banco Pleno. Este último teve sua liquidação extrajudicial decretada hoje pelo Banco Central.
Antes da quebra do Master, o fundo possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, sendo R$ 122 bilhões em recursos líquidos, o que assegura, segundo a entidade, capacidade para cumprir os compromissos assumidos.
A dimensão dos valores reforça a relevância do FGC como colchão de segurança do sistema financeiro, especialmente em episódios que envolvem instituições com forte presença no varejo e ampla base de clientes.
Antecipação de pagamentos no Will Bank
No caso do Will Bank — também liquidado pelo Banco Central e integrante do conglomerado — o FGC iniciou, em 13 de fevereiro, a antecipação de garantias para clientes diretos com valores a receber de até R$ 1 mil.
Até o momento, foram pagos R$ 53 milhões, o equivalente a 27% do total estimado para essa etapa, calculado em R$ 200 milhões. Aproximadamente 380 mil credores receberam os recursos, o que representa 6% de um universo de 6 milhões de pessoas elegíveis à antecipação.
Clientes que adquiriram produtos cobertos pela garantia por meio de plataformas de investimentos ou que tenham valores superiores a R$ 1 mil deverão solicitar o ressarcimento pelo aplicativo do próprio FGC, após a consolidação da lista de credores pelo liquidante.
O Will Bank atuava principalmente junto a clientes de renda média e baixa, ampliando o acesso a serviços bancários digitais. Além das garantias do FGC, correntistas também vêm recebendo valores referentes a depósitos em moeda eletrônica mantidos na instituição.
A velocidade dos pagamentos é vista pelo mercado como fator-chave para reduzir incertezas e preservar a confiança dos investidores em momentos de estresse no sistema bancário.