Os índices futuros das bolsas americanas registram queda nesta quarta-feira (11), refletindo a frustração dos investidores com a ausência de detalhes sobre o novo acordo comercial entre Estados Unidos e China. Apesar do anúncio de uma estrutura conjunta para reduzir tensões, a indefinição quanto à implementação do plano gera incertezas nos mercados globais.
Segundo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, o entendimento alcançado em Genebra envolve questões estratégicas como terras raras e ímãs — matérias-primas cruciais para a indústria tecnológica e de defesa. O texto, no entanto, ainda precisa ser ratificado pelos presidentes Joe Biden e Xi Jinping.
Enquanto isso, as atenções se voltam para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que será publicado às 9h30. A expectativa é de alta de 0,2% em maio e de 2,5% em 12 meses. O resultado pode influenciar a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) sobre os juros, marcada para a próxima semana.
No Brasil, os investidores monitoram o fluxo cambial semanal e repercutem o IPCA de maio, que subiu 0,26%, abaixo do esperado. A inflação anual caiu para 5,32%, mas os preços dos serviços continuam elevados, o que reforça a expectativa de manutenção da Selic em 14,75% pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Na esfera política, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de audiência na Câmara dos Deputados, onde deve defender alternativas ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Brasil
O Ibovespa encerrou a terça-feira (10) com alta de 0,54%, aos 136.436 pontos, quebrando uma sequência de quatro quedas. O movimento refletiu o alívio trazido pela inflação oficial de maio mais comportada do que o previsto, puxada pela queda nos preços da gasolina e bens duráveis.
A leitura do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) reforça a expectativa de manutenção da taxa Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Mesmo assim, o dólar comercial inverteu a tendência de baixa observada ao longo do dia e fechou com alta de 0,14%, a R$ 5,570. O avanço refletiu o clima de cautela no exterior, com investidores atentos às negociações comerciais entre China e EUA e à divulgação da inflação do consumidor nos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) nesta quarta-feira (11).
Europa
As bolsas europeias operam com alta nesta quarta-feira, com os investidores acompanhando a alta de Wall Street na véspera e de olho nos detalhes das negociações comerciais entre China e Estados Unidos.
Das notícias da região, os agentes acompanham hoje o relatório de acompanhamento salarial do BCE (Banco Central Europeu), além de discursos de membros do conselho da instituição. No Reino Unido, a ministra das Finanças, Rachel Reeves, divulga uma revisão de gastos, atraindo atenção do mercado para possíveis mudanças na política fiscal britânica.
STOXX 600: +0,18%
DAX (Alemanha): +0,32%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,23%
CAC 40 (França): +0,38%
FTSE MIB (Itália): +0,09%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA recuam nesta manhã com os agentes à espera da inflação ao consumidor de maio. A expectativa é de uma leve aceleração da inflação.
Dow Jones Futuro: -0,14%
S&P 500 Futuro: -0,14%
Nasdaq Futuro: -0,10%
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam com alta, com otimismo sobre o progresso nas negociações comerciais entre EUA e China.
Na região, dados do Banco do Japão mostraram que a inflação no atacado desacelerou em maio, o que significa que pode haver menos pressão para o banco central aumentar as taxas de juros em sua próxima reunião do conselho de política monetária.
Shanghai SE (China), +0,52%
Nikkei (Japão): +0,55%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,84%
Kospi (Coreia do Sul): +1,23%
ASX 200 (Austrália): +0,06%
Petróleo
Os preços do petróleo operam no campo positivo, enquanto investidores avaliam o resultado das negociações comerciais entre Estados Unidos e China e os possíveis impactos da negociação na demanda pela commodity.
Petróleo WTI, +0,43%, a US$ 65,26 o barril
Petróleo Brent, +0,25%, a US$ 67,05 o barril
Agenda
Nos EUA, o destaque da agenda é a inflação do consumidor de maio.
Por aqui, no Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição estuda um novo modelo de financiamento imobiliário, diante da queda estrutural da poupança, principal fonte do setor. A alternativa deverá envolver captação no mercado financeiro. A Caixa Econômica Federal propõe a redução do compulsório da poupança de 20% para 15%, o que liberaria até R$ 80 bilhões. Hoje, as LCIs já superam a poupança como fonte de crédito, mas podem ser afetadas por fim de isenção do IR. O setor busca soluções para manter taxas acessíveis, especialmente para a classe média.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg