Os índices futuros dos Estados Unidos operam em queda, nesta terça-feira (10), refletindo a cautela dos investidores diante da falta de avanços concretos nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. O segundo dia de reuniões entre representantes dos dois países acontece em Londres, com foco em tecnologia e exportações de terras raras — temas sensíveis na disputa entre as duas potências.
Apesar de declarações otimistas do presidente Donald Trump, que afirmou estar “recebendo notícias boas” sobre a China, o mercado permanece atento ao desenrolar das conversas, dado o impacto global do impasse comercial.
No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga hoje o IPCA de maio, principal indicador da inflação. A expectativa do mercado é de desaceleração, com projeção de alta de 0,33%, após avanço de 0,43% em abril. A última leitura foi puxada pelos setores de alimentação fora de casa e medicamentos, cujos reajustes chegaram a 5,09%.
Na política brasileira, investidores acompanham as discussões sobre o novo pacote de medidas do Ministério da Fazenda, que devem ser apresentadas nesta terça ao presidente Lula (PT).
Brasil
O Ibovespa recuou 0,33% na segunda-feira (9), aos 135.655 pontos, na quarta queda consecutiva. O índice já acumula perdas de mais de 4 mil pontos em duas semanas.
O dólar comercial, que oscilou para cima durante a manhã, acabou fechando em leve queda de 0,14%, cotado a R$ 5,562. Já os juros futuros (DIs) encerraram o dia em baixa ao longo de toda a curva.
No mercado, a Vale subiu 0,59% e ajudou a conter maiores perdas, enquanto Petrobras caiu 1,55% com revisão negativa de recomendação.
Europa
As bolsas europeias reagem majoritariamente positivas nesta segunda-feira, com os agentes também acompanhando os desdobramentos da negociação entre EUA e China. No centro da mesa estão as terras raras, grupo de elementos químicos estratégicos para a produção de armamentos e tecnologias de defesa, cuja exportação foi restringida pela China em abril, em retaliação às tarifas impostas por Washington sobre produtos chineses.
STOXX 600: +0,02%
DAX (Alemanha): -0,39%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,44%
CAC 40 (França): +0,14%
FTSE MIB (Itália): +0,01%
Estados Unidos
Os futuros dos EUA avançam hoje, com os agentes à espera da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC, na sigla em inglês) de maio, prevista para esta quarta-feira (11), enquanto acompanham os desdobramentos das negociações entre EUA e China.
Dow Jones Futuro: -0,22%
S&P 500 Futuro: -0,17%
Nasdaq Futuro: -0,19%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam de forma mista, acompanhando o fechamento de Wall Street, enquanto os investidores aguardavam mais detalhes sobre as negociações comerciais entre os EUA e a China, que estavam programadas para continuar pelo segundo dia.
Shanghai SE (China), -0,44%
Nikkei (Japão): +0,32%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,08%
Kospi (Coreia do Sul): +0,56%
ASX 200 (Austrália): +0,84%
Petróleo
Os preços do petróleo operam perto da estabilidade, enquanto os traders aguardam o resultado das negociações entre EUA e China, que poderiam abrir caminho para aliviar as tensões comerciais e melhorar a demanda por combustível.
Petróleo WTI, +0,08%, a US$ 65,34 o barril
Petróleo Brent, +0,10%, a US$ 67,12 o barril
Agenda
Dia de agenda internacional esvaziada hoje.
Por aqui, no Brasil, nos dois primeiros anos de governo Lula, medidas extraordinárias e mudanças legislativas geraram R$ 177,6 bilhões em receitas, segundo estudo da Tendências. As maiores fontes dessa colheita foram dividendos de estatais e tributação de fundos exclusivos e offshores. Também entraram na conta a “taxa das blusinhas”, taxação de apostas e reoneração dos combustíveis. O estudo destaca que só as novas receitas somam R$ 108 bilhões. As mudanças, porém, focam em arrecadação; cortes estruturais de despesas ficaram fora do pacote. Especialistas alertam para os desafios em aprovar medidas impopulares em ano eleitoral.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg