Futuros recuam com escalada no Irã e tensão amplia risco inflacionário global

Ataques no Oriente Médio pressionam petróleo e aumentam aversão ao risco
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Os índices futuros dos EUA operam em queda nesta quarta-feira (4), refletindo a escalada do conflito no Irã e o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais. O ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã intensificou as tensões no Oriente Médio e reacendeu o temor de um novo choque inflacionário global, com impacto direto sobre os preços do petróleo.

A instabilidade ganhou novos contornos após bombardeios de Israel contra Teerã e o lançamento de mísseis iranianos em direção a Catar, Bahrein e Omã. A interrupção da produção de energia no Catar e no Iraque elevou preocupações com a oferta global, adicionando volatilidade às commodities.

No radar econômico, a sessão traz divulgações relevantes, com destaque para os PMIs de Serviços nas principais economias. Nos EUA, o relatório de emprego privado ADP e o Livro Bege do Federal Reserve devem calibrar expectativas sobre inflação, mercado de trabalho e juros. Na zona do euro, saem dados de desemprego e preços ao produtor.

No Brasil, investidores acompanham indicadores de inflação ao produtor e fluxo cambial, além da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na Câmara. No cenário corporativo, empresas como Rumo, CBA, Dexco, Ultrapar e PagBank divulgam resultados após o fechamento.

Na China, a reunião parlamentar anual concentra atenções, enquanto o PMI manufatureiro caiu a 49 em fevereiro, sinalizando contração da atividade industrial em meio a paralisações sazonais. O conjunto de fatores reforça um ambiente de incerteza e maior cautela nos mercados globais.

Brasil

O Ibovespa encerrou a terça-feira (3) com queda de 3,28%, aos 183.104,87 pontos, após chegar a recuar mais de 4% no pior momento do pregão. No câmbio, o dólar à vista avançou 1,92%, a R$ 5,2652, refletindo o movimento global de aversão a risco.

O estopim veio do exterior. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter ordenado apoio militar a Israel contra o Irã, sob a justificativa de que Teerã estaria prestes a atacar interesses norte-americanos. A escalada elevou as cotações do petróleo e intensificou o temor de um choque inflacionário global.

Com a disparada da commodity, o mercado brasileiro passou a revisar para baixo as expectativas de redução da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Europa

As bolsas europeias operam no campo positivo, após fortes perdas nas sessões anteriores, a despeito da escalada do conflito no Oriente Médio. Por lá, os agentes aguardam dados macroeconômicos da região, entre os quais estão os dados de desemprego e os preços ao produtor da zona do euro.

STOXX 600: +0,40%
DAX (Alemanha): +0,42%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,04%
CAC 40 (França): +0,19%
FTSE MIB (Itália): -0,01%

Estados Unidos

Os indicadores dos EUA mantêm a trajetória negativa da véspera, com os investidores repercutindo os prováveis impactos da escalada do conflito no Oriente Médio na economia global, enquanto aguardam o relatório de empregos privados da ADP de fevereiro e o Livro Bege do Federal Reserve, o banco central estadunidense.

Dow Jones Futuro: -0,39%
S&P 500 Futuro: -0,37%
Nasdaq Futuro: -0,50%

Ásia

As bolsas asiáticas fecharam em baixa, acompanhando o movimento negativo de Wall Street. Na região, o destaque ficou mais uma vez com o índice Kospi, da Coreia do Sul, que despencou mais de 12%, registrando sua pior queda diária, com o conflito no Irã alimentando a aversão ao risco.

Na China, hoje começa a reunião parlamentar anual dos formuladores de políticas do país.

Shanghai SE (China), -0,98%
Nikkei (Japão): -3,61%
Hang Seng Index (Hong Kong): -2,01%
Nifty 50 (Índia): -1,75%
ASX 200 (Austrália): -1,94%

Petróleo

Os preços do petróleo operam em alta, ampliando os ganhos dos últimos dias, como consequência da escalada da tensão em uma das regiões mais importantes na produção mundial de petróleo. Operadores avaliam o plano dos EUA para assegurar e escoltar petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz, depois que o tráfego nessa importante via navegável foi praticamente paralisado devido aos conflitos.

Petróleo WTI, +2,59%, a US$ 76,49 o barril
Petróleo Brent, +2,71%, a US$ 83,16 o barril

Agenda

Nos Estados Unidos, saem os dados do emprego privado (ADP) de fevereiro; o PMI e o ISM de Serviços, também de fevereiro; e o Livro Bege.

Na zona do euro, são aguardados o PMI de Serviços (final) de fevereiro, o índice de preços ao produtor de janeiro e a taxa de desemprego de janeiro.

Por aqui, no Brasil, as instituições financeiras poderão deduzir os valores que irão antecipar ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), para sua recomposição patrimonial, dos recolhimentos compulsórios de depósitos à vista e a prazo que fazem ao Banco Central, definiu a autoridade monetária em resolução publicada na terça-feira (3). A medida visa neutralizar o efeito da antecipação ao fundo na liquidez do sistema bancário. O BC calcula que a dedução irá resultar na liberação de R$ 30 bilhões em 2026. Em nota, o BC afirma que o compulsório será recomposto mensalmente, com vencimento da referida antecipação mensal.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

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