O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, participa nesta quarta-feira (28) de sua última reunião de decisão de juros à frente do banco central dos Estados Unidos. O mandato se encerra oficialmente em 15 de maio, após oito anos marcados por crises econômicas globais e desafios persistentes no controle da inflação.
Apesar do fim da gestão, Powell ainda pode permanecer como membro do conselho do Fed até janeiro de 2028. A continuidade, no entanto, não foi confirmada publicamente — e a tradição indica que presidentes costumam deixar o cargo ao término do mandato.
A expectativa do mercado é que Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, assuma o comando da instituição já na próxima reunião, prevista para junho. O nome do economista será analisado por um comitê do Senado antes de seguir para votação no plenário.
A possível mudança ocorre em um momento sensível para a política monetária estadunidense, com investidores atentos aos próximos passos na condução dos juros.
Cenário global desafia política monetária
A gestão de Powell foi atravessada por uma série de choques econômicos relevantes. Entre eles, a pandemia de Covid-19, que desorganizou cadeias produtivas e impulsionou a inflação global, além da guerra entre Rússia e Ucrânia e da escalada recente de tensões no Oriente Médio.
Outro fator de pressão foi o conjunto de políticas comerciais adotadas por Trump, incluindo tarifas sobre produtos estrangeiros, que também contribuíram para o ambiente inflacionário.
Nesse contexto, o Fed elevou os juros ao maior nível desde 2001 em 2023. A partir do fim de 2024, iniciou um ciclo de cortes, levando a taxa para a faixa atual de 3,50% a 3,75% ao ano.
Pressões políticas e críticas públicas
A relação entre Powell e Trump foi marcada por tensões recorrentes. O presidente dos Estados Unidos intensificou críticas à condução da política monetária, defendendo cortes mais agressivos nos juros para estimular a economia.
As manifestações incluíram ataques pessoais e declarações públicas de descontentamento com a atuação do Fed. A pressão aumentou ao longo de 2025, em meio a preocupações com os efeitos dos juros elevados sobre o consumo e a atividade econômica.
Investigação é encerrada sem acusações
Em paralelo às críticas, Powell foi alvo de uma investigação sobre os custos da reforma da sede do Fed, estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões. O inquérito foi encerrado recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sem apresentação de acusações formais.
A apuração havia se tornado um entrave político no processo de confirmação de Warsh no Senado, sendo utilizada por aliados de Trump como justificativa para atrasos nas nomeações.
Decisão desta quarta e expectativas para o futuro
Para a reunião desta quarta-feira, a expectativa do mercado é de manutenção da taxa básica de juros no intervalo atual. O foco dos analistas, porém, já se desloca para o período pós-Powell e para os possíveis rumos da política monetária sob nova liderança.
A transição no comando do Fed ocorre em um momento em que o equilíbrio entre controle da inflação e estímulo ao crescimento econômico segue no centro do debate — agora com influência política mais explícita no horizonte.