O mercado brasileiro viveu um dia histórico. O Ibovespa finalmente rompeu a barreira simbólica dos 190 mil pontos ao longo do pregão e fechou no maior nível já registrado. O principal índice da Bolsa avançou 2,03%, encerrando aos 189.699,12 pontos, com um ganho expressivo de 3.769,79 pontos. Durante a sessão, foi ainda mais longe e alcançou 190.561,18 pontos, o maior patamar intradiário de todos os tempos e o 11º recorde histórico registrado apenas em 2026, em 29 pregões.
O movimento positivo também se refletiu no câmbio. O dólar comercial recuou 0,18% e terminou o dia cotado a R$ 5,187. Em evento realizado em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que ainda é necessário observar se a tendência de enfraquecimento da moeda americana terá continuidade. No mercado de juros, os contratos de DI fecharam o dia sem direção única.
O principal catalisador do otimismo veio do exterior. O relatório de empregos dos Estados Unidos, o payroll, surpreendeu positivamente em janeiro e reforçou a percepção de que o mercado de trabalho norte-americano segue resiliente.
No Brasil, houve um ponto fora da curva nos indicadores: a inflação ao produtor subiu em dezembro após dez meses de recuo. Ainda assim, o ano de 2025 terminou com uma deflação acumulada expressiva de 4,53%.
Exterior sem fôlego
Nos Estados Unidos, Wall Street teve um dia de pouca inspiração. Após uma reação inicial ao payroll, os índices perderam força e encerraram o pregão no vermelho, andando de lado. Na Europa, as bolsas fecharam em queda, refletindo a repercussão de uma nova rodada de balanços corporativos. Em meio a esse cenário, o ouro voltou a subir.
Apesar do dado mais forte de emprego, analistas seguem cautelosos. Para Rick Wedell, CIO da RFG Advisory, o mercado de trabalho americano caminha na direção correta, mas ainda está longe de ser considerado realmente sólido, com sinais persistentes de fragilidade.
Bancos e papéis de peso impulsionam Ibovespa
No Brasil, a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 começa a ganhar tração e foi determinante para o desempenho das ações. O Banco do Brasil (BBAS3) subiu 0,44% no dia em que divulga seus resultados, embora analistas do Itaú BBA projetem um desempenho mais fraco em relação aos demais grandes bancos.
Já os concorrentes tiveram um dia bastante positivo. Bradesco (BBDC4) avançou 2,96%, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 1,96% e Santander (SANB11) ganhou 1,48%.
O grande destaque ficou com o setor de papel e celulose. A Suzano (SUZB3) disparou 13,32% após a divulgação do balanço, enquanto a Klabin (KLBN11) avançou 6,00%. A TIM (TIMS3) também chamou atenção, com alta de 7,85%, após superar as estimativas do mercado, segundo análise do Bradesco BBI.
Mesmo sem divulgar balanço, a Petrobras (PETR4) subiu 1,95%, apoiada por dados de vendas do trimestre e do ano, além da valorização do petróleo no mercado internacional. A Vale (VALE3) ganhou 3,49%, com analistas reforçando projeções otimistas e prevendo que a ação possa superar os R$ 100 ao longo de 2026.
Após o tombo da véspera, a Eneva (ENEV3) teve um respiro e avançou 1,97%, em movimento de recuperação.
*Com informações da InfoMoney