Os índices futuros dos Estados Unidos iniciaram a segunda-feira (14) em queda, refletindo o aumento das tensões geopolíticas após o presidente Donald Trump anunciar uma nova rodada de tarifas sobre importações da União Europeia e do México. As alíquotas de 30% entram em vigor a partir de 1º de agosto. Em resposta, autoridades europeias e mexicanas indicaram disposição para negociar termos mais brandos ao longo do mês.
Com a agenda norte-americana esvaziada de indicadores relevantes, o foco do mercado se volta para os desdobramentos da política comercial norte-americana e para o início da temporada de balanços do segundo trimestre.
Na China, os dados de comércio exterior superaram as expectativas. As exportações cresceram 5,8% em junho na comparação anual, alcançando US$ 325 bilhões, enquanto as importações subiram 1,1%, registrando o primeiro avanço desde fevereiro, segundo a Administração Geral das Alfândegas.
No Brasil, o destaque desta manhã é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central com as expectativas do mercado para inflação, juros, câmbio e PIB (Produto Interno Bruto). Ainda hoje, será publicado o IBC-Br, considerado uma prévia do desempenho da economia. Amanhã (15), o Supremo Tribunal Federal (STF) sedia uma audiência de conciliação entre Executivo e Legislativo sobre a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Brasil
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (11) com queda de 0,41%, aos 136.187 pontos, acumulando baixa de 3,59% na semana — o pior desempenho desde dezembro de 2022. Foi a primeira vez, desde maio, que o índice registrou cinco sessões consecutivas de perdas.
O recuo reflete um ambiente externo mais hostil, marcado por declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que anunciou tarifas de 35% sobre o Canadá e taxação de 50% contra produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O movimento acentuou o pessimismo global e pressionou os principais índices internacionais.
Apesar da volatilidade, o dólar comercial fechou a sexta-feira com leve alta de 0,10%, a R$ 5,548. Os juros futuros oscilaram de forma mista.
Europa
As bolsas europeias operam no vermelho após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar nova rodada de tarifas contra o bloco a partir de 1º de agosto, o que representa um golpe para o bloco após vários meses de negociações para tentar chegar a um acordo comercial. A UE disse que seguirá negociando.
STOXX 600: -0,48%
DAX (Alemanha): -0,86%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,22%
CAC 40 (França): -0,66%
FTSE MIB (Itália): -0,56%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA recuam hoje, com os agentes de olho no início da temporada de resultados do segundo trimestre. Na lista estão grandes bancos, incluindo o JPMorgan.
No domingo (13), o governo Trump voltou a fazer nova ameaça a Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense). Em entrevista à ABC News, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, afirmou que Donald Trump poderia destituir Powell “se houver motivo”.
Dow Jones Futuro: -0,43%
S&P 500 Futuro: -0,39%
Nasdaq Futuro: -0,38%
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam sem direção única, com os agentes repercutindo os dados da balança comercial chinesa, cujas exportações aumentaram 5,8% em junho em dólares americanos em relação ao ano anterior, superando a estimativa de analistas.
Shanghai SE (China), +0,27%
Nikkei (Japão): -0,28%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,26%
Kospi (Coreia do Sul): +0,83%
ASX 200 (Austrália): -0,11%
Petróleo
Os preços do petróleo sobem, ampliando os ganhos de mais de 2% da sexta-feira, com os traders de olho nas sanções dos EUA à Rússia, o que pode afetar o fornecimento global da commodity.
Petróleo WTI, +1,24%, a US$ 69,30 o barril
Petróleo Brent, +1,17%, a US$ 71,18 o barril
Agenda
Agenda internacional esvaziada hoje. Nos EUA, o foco se volta ao início da temporada de balanços do segundo trimestre.
Por aqui, no Brasil, a tarifa de 50% imposta por Donald Trump pode afetar de forma desigual os estados brasileiros. Juntos, os estados do Sudeste exportaram US$ 28,6 bilhões para os EUA em 2023, o que representa 70,1% do total. São Paulo lidera, com US$ 13,5 bilhões, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. No entanto, em termos proporcionais, o Ceará é o mais vulnerável: 44,9% de suas exportações vão para os EUA. Espírito Santo (28,6%) e Paraíba (21,6%) também estão entre os mais expostos. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), cada R$ 1 bilhão exportado aos EUA gera 24,3 mil empregos no Brasil.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg