Decisões sobre os juros no Brasil e nos EUA concentram as atenções nesta ‘Superquarta’

Nos Estados Unidos, balanços de big techs também estão no radar dos investidores
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Os mercados globais iniciam esta quarta-feira (28) sob expectativa da primeira “Superquarta” do ano, marcada pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Os índices futuros de Wall Street operam em alta, enquanto investidores aguardam o anúncio do Federal Reserve (Fed), o banco central estadunidense, e a divulgação de resultados de grandes empresas de tecnologia.

O consenso é de que o Fed mantenha os juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção é de 97%. Ainda assim, o foco do mercado está no comunicado e em possíveis sinais sobre a trajetória futura da política monetária. Para o Bank of America, o comitê segue “firmly on hold”, à espera de mudanças no balanço de riscos.

A decisão ocorre em um ambiente politicamente sensível. O presidente Donald Trump pressiona por cortes mais agressivos e recentemente foi aberta uma investigação criminal envolvendo o presidente do Fed, Jerome Powell. Além disso, persiste a expectativa de que Trump possa anunciar, a qualquer momento, um sucessor para o comando do banco central, embora o mandato de Powell termine somente em maio.

No Brasil, a expectativa majoritária é pela manutenção da Selic em 15%, com atenção redobrada ao tom do comunicado do Banco Central em busca de sinais sobre o início de um ciclo de cortes. Ao longo do dia, o Tesouro Nacional divulga relatórios relevantes sobre a dívida pública e o Plano Anual de Financiamento de 2026.

A agenda também inclui discurso de Trump, dados da Sondagem da Indústria no Brasil e a divulgação de balanços de big techs como Microsoft, Meta e Tesla, que devem influenciar o humor dos mercados ao longo da sessão.

Brasil

Ibovespa voltou a renovar máximas históricas na terça-feira (27), sustentado pela entrada de capital estrangeiro e pela divulgação de um IPCA-15, considerado a prévia da inflação, abaixo das projeções do mercado, na véspera das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28). O índice avançou 1,79%, aos 181.919 pontos, após atingir mais de 183 mil pontos durante o pregão.

O movimento positivo também foi acompanhado por nova rodada de valorização do real. O dólar à vista encerrou o dia em queda de 1,38%, cotado a R$ 5,20 — menor nível desde maio de 2024.

No campo dos dados, o IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, abaixo da mediana das expectativas (0,23%), reforçando a percepção de inflação sob controle. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,50%.

Europa

As bolsas europeias operam mistas, enquanto os investidores da região se preparam para mais balanços corporativos, depois que a gigante holandesa de semicondutores ASML divulgou, nesta manhã, um número de encomendas que superou as expectativas e com boas previsões de vendas para este ano. Por outro lado, as ações da LVMH caíram mais de 7%, depois que o conglomerado francês de artigos de luxo divulgou resultados mistos para o ano fiscal na noite de terça-feira.

STOXX 600: -0,06%
DAX (Alemanha): +0,05%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,04%
CAC 40 (França): -0,85%
FTSE MIB (Itália): -0,22%

Estados Unidos

Além da decisão do Federal Reserve e a coletiva de imprensa de Jerome Powell, realizada logo após o anúncio da decisão, os investidores aguardam por dados da Meta, Microsoft e Tesla após o fechamento do mercado financeiro.

Dow Jones Futuro: +0,05%
S&P 500 Futuro: +0,37%
Nasdaq Futuro: +0,92%

Ásia

As bolsas asiáticas fecharam mistas, com destaque para o novo recorde de fechamento do mercado sul-coreano, após o presidente dos EUA, Donald Trump, adotar um tom conciliatório em relação à sua ameaça de tarifas contra Seul. “Vamos chegar a um acordo com a Coreia do Sul”.

Shanghai SE (China), +0,27%
Nikkei (Japão): +0,05%
Hang Seng Index (Hong Kong): +2,58%
Nifty 50 (Índia): +0,08%
ASX 200 (Austrália): -0,09%

Petróleo

Os preços do petróleo operam próximos da máxima de quatro meses, enquanto os investidores acompanhavam as novas ameaças do presidente Donald Trump contra o Irã. Outro ponto de atenção é que a desvalorização do dólar aumentou o apelo das commodities cotadas na moeda estadunidense.

Petróleo WTI, +0,11%, a US$ 62,46 o barril
Petróleo Brent, -0,04%, a US$ 67,56 o barril

Agenda

Nos EUA, além da decisão do Federal Reserve, saem os dados da balança comercial e de estoques de petróleo bruto.

Por aqui, no Brasil, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou na terça-feira 27 que houve um “percalço” na tramitação do acordo entre Mercosul e a União Europeia, mas que o governo brasileiro vai “acelerar” para superar a sua parte das barreiras que impedem que o tratado entre em vigor. Na semana passada, o Parlamento Europeu solicitou ao Tribunal de Justiça da União Europeia um parecer jurídico sobre a conformidade do acordo Mercosul-UE com os tratados do bloco, paralisando a implementação do pacto.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

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