Trump indica Marco Rubio para negociar tarifaço com o Brasil

Lula e Trump podem se encontrar pessoalmente ainda neste mês, à margem da cúpula da ASEAN, na Malásia
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O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou nesta segunda-feira (6) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, designou o secretário de Estado, Marco Rubio, como interlocutor para tratar das negociações sobre o tarifaço imposto aos produtos brasileiros. A decisão foi comunicada durante um telefonema entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que durou cerca de 30 minutos.

Segundo Alckmin, a conversa foi “melhor do que o esperado” e sinalizou um possível avanço no diálogo comercial entre os dois países.

“O presidente Lula destacou a disposição do Brasil para o diálogo e para a negociação (…) e colocou que as sanções e vistos sobre ministros também deveriam ser rediscutidas ”, afirmou o vice-presidente.

Ainda não há data definida para uma nova rodada de conversas, mas o intercâmbio de contatos diretos entre Lula e Trump foi visto pelo governo como um sinal positivo de aproximação.

Conversa e indicação de Marco Rubio em meio ao tarifaço

O telefonema ocorre duas semanas após o breve encontro entre Lula e Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, quando os dois presidentes mencionaram uma “boa química” e a intenção de retomar o diálogo bilateral.

Participaram da ligação o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que classificou a conversa como “positiva” do ponto de vista econômico, além de assessores do Palácio do Planalto.

A expectativa do governo brasileiro é que o diálogo abra caminho para negociações sobre o fim do tarifaço, que elevou em até 50% as tarifas sobre cerca de um terço das exportações brasileiras aos EUA.

Possível encontro presencial

De acordo com reportagem do jornal O Globo, fontes do Planalto afirmam que Lula e Trump podem se encontrar pessoalmente ainda neste mês, à margem da cúpula da ASEAN, na Malásia. A estratégia de iniciar o contato de forma virtual foi defendida por assessores do presidente brasileiro, como forma de avaliar o clima diplomático antes de um encontro presencial.

Em nota, o governo descreve o contato como “uma oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente. Recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviço”.

Lula aproveitou para pedir a revogação do tarifaço e das sanções aplicadas a autoridades brasileiras, em referência aos vistos cassados e à inclusão do ministro Alexandre de Moraes e de sua esposa na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, legislação americana que prevê punições por supostas violações de direitos humanos.

 

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