A memecoin associada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desvalorizou mais de 90% desde o pico registrado há cerca de um ano. Lançada pouco antes da posse de Trump, em janeiro de 2025, a $TRUMP chegou a subir de US$ 1,20 para US$ 75,35 em poucas semanas, segundo dados da CoinMarketCap. Atualmente, o token é negociado a cerca de US$ 4,86 — uma queda acumulada de 94%.
A trajetória repete um padrão comum no mercado de memecoins: forte valorização inicial impulsionada por apelo midiático e especulação, seguida de perdas expressivas à medida que o interesse pela $TRUMP diminui.
Poucos dias após o lançamento, a primeira-dama Melania Trump também estreou sua própria memecoin. O ativo chegou a atingir US$ 13,73, mas hoje é negociado ligeiramente abaixo de US$ 0,15, uma desvalorização próxima de 99%. Para investidores que entraram no auge, as perdas são significativas.
Apesar disso, a $TRUMP ainda figura como a quinta maior memecoin do mercado em valor de capitalização, segundo a CoinMarketCap, indicando que parte relevante do capital especulativo permanece alocada no ativo.
Lucros elevados e críticas crescentes
As quedas de preço tendem a ampliar as críticas aos negócios de criptomoedas da família presidencial. Uma investigação recente do Financial Times estimou que as iniciativas cripto ligadas aos Trump geraram mais de US$ 1 bilhão em lucros antes de impostos. Desse total, cerca de US$ 427 milhões teriam vindo diretamente de vendas e taxas de negociação associadas às memecoins $TRUMP e $MELANIA.
A falta de transparência sobre a divisão exata desses ganhos tem alimentado questionamentos de especialistas em governança, parlamentares democratas e representantes da própria indústria cripto.
Memecoins e especulação
O auge do interesse por memecoins ocorreu entre o fim de 2023 e o início de 2024. Esses tokens, que podem ser criados por qualquer pessoa, não possuem valor intrínseco, modelo de negócios ou fluxo de caixa. Seu preço depende quase exclusivamente da popularidade, de eventos virais ou da associação com figuras públicas — o que amplia a volatilidade e os riscos para investidores comuns.
Nesse contexto, críticos classificam as memecoins presidenciais como instrumentos de ganho rápido, potencialmente explorando a influência política para fins privados.
Regulação e conflitos de interesse em debate
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, o governo tem adotado uma postura favorável ao setor, com a nomeação de reguladores pró-cripto e a concessão de perdões a indivíduos ligados a crimes financeiros no segmento. Paralelamente, o presidente e sua família ampliaram sua presença em diversos empreendimentos ligados a ativos digitais.
Diante disso, grupos como Democracy Defenders Action e Project on Government Oversight pressionam o Congresso para que a nova legislação sobre o mercado de criptomoedas inclua salvaguardas rigorosas contra conflitos de interesse.
Em carta enviada recentemente ao Senado, as organizações defendem a proibição de que o presidente e altos funcionários públicos possuam ou negociem criptomoedas, alertando para riscos de fraude, manipulação e abuso de poder.
Novos projetos no horizonte
Mesmo em meio às controvérsias, as empresas ligadas a Trump seguem avançando no setor. A Trump Media & Technology Group, controladora da rede social Truth Social, anunciou planos de emitir um novo token para seus acionistas em 2 de fevereiro, como parte de uma parceria com a exchange Crypto.com.
O movimento reforça que, apesar do esfriamento do mercado de memecoins, a interseção entre política, criptoativos e interesses privados permanece no centro do debate regulatório nos Estados Unidos.