Mercados globais sobem nos EUA antes do feriado da Independência, com payroll no radar

No Brasil, atenção se volta ao PMI de serviços e à agenda do presidente Lula no Mercosul
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os mercados globais começam a quinta-feira (3) no campo positivo, véspera do feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, com os mercados à vista funcionando em horário reduzido. O foco dos investidores está na divulgação do relatório de empregos de junho (payroll), que pode trazer novos sinais sobre a saúde da economia dos EUA e influenciar as decisões do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

A expectativa é de criação de 110 mil vagas no mês, segundo economistas consultados pela Reuters, abaixo dos 139 mil registrados em maio. Também é esperada uma leve alta na taxa de desemprego, o que pode reforçar apostas em cortes de juros nos próximos meses.

A agenda econômica do dia nos EUA inclui ainda dados da balança comercial, pedidos semanais de auxílio-desemprego, exportações de grãos e índices de atividade do setor de serviços (PMI e ISM). O dirigente do Fed, Raphael Bostic, discursa ao meio-dia. As bolsas americanas fecham às 13h (horário de Brasília).

No Brasil, o PMI de serviços será divulgado às 10h. O indicador é acompanhado de perto por investidores por refletir o ritmo de atividade em um dos setores-chave da economia.

Na política, o presidente Lula (PT) cumpre agenda na Cúpula do Mercosul em Buenos Aires. Após reuniões com líderes regionais e a cerimônia de transmissão da presidência rotativa do bloco ao Brasil, o presidente retorna ao Rio de Janeiro no fim da tarde.

Brasil

Ibovespa encerrou o pregão de terça-feira (2) com queda de 0,36%, aos 139.050,93 pontos, contrariando o desempenho positivo de ações de peso como Vale (+3,64%) e Petrobras (+1,78%). A baixa veio na esteira da crescente tensão institucional entre Executivo, Legislativo e Judiciário, agravada pela correta judicialização do decreto sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) por parte do governo.

Enquanto o dólar comercial caiu 0,74%, a R$ 5,421 — menor valor desde agosto de 2024 —, os juros futuros subiram em toda a curva, refletindo maior percepção de risco político.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a judicialização não se trata de um embate político, mas de “uma questão jurídica”. Já o presidente Lula criticou diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reforçou que o STF (Supremo Tribunal Federal) foi acionado para “recolocar as coisas no lugar”.

Europa

As bolsas europeias sobem enquanto investidores acompanham instabilidade política no Reino Unido e esperam dados de emprego dos EUA. A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, mostrou desconforto no Parlamento em meio à pressão por reformas na previdência, mas recebeu apoio do premiê Keir Starmer.

STOXX 600: +0,31%
DAX (Alemanha): +0,26%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,45%
CAC 40 (França): +0,10%
FTSE MIB (Itália): -0,32%

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA avançam hoje, enquanto investidores acompanham o andamento do megaprojeto de lei tributária de Donald Trump, que retornou a Câmara após ser aprovado pelo Senado na terça-feira. Além disso, também aguardam os dados de emprego do Payroll.

Dow Jones Futuro: +0,04%
S&P 500 Futuro: +0,08%
Nasdaq Futuro: +0,16%

Ásia

Os mercados asiáticos encerraram o dia sem direção definida, com destaque para o Vietnã, que atingiu o maior nível em três anos. A alta foi impulsionada por um possível novo acordo comercial com os EUA, anunciado por Donald Trump. Segundo ele, os EUA imporão tarifa de 20% sobre produtos vietnamitas, enquanto o Vietnã aplicará tarifa zero aos norte-americanos.

Shanghai SE (China), +0,18%
Nikkei (Japão): +0,06%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,63%
Kospi (Coreia do Sul): +1,34%
ASX 200 (Austrália): -0,02%

Petróleo

Os preços do petróleo opera em baixa, revertendo os ganhos da sessão anterior, devido a preocupações com a fraca demanda dos EUA depois que dados do governo mostraram um aumento surpreendente nos estoques do maior consumidor de petróleo bruto do mundo.

Petróleo WTI, -0,93%, a US$ 66,82 o barril
Petróleo Brent, -0,90%, a US$ 68,48 o barril

Agenda

Agenda cheia nos EUA antes do feriado da Independência nesta sexta-feira (4/7). Serão divulgados os dados de emprego principal, o payroll de junho; balança comercial de maio; PMI e ISM de serviços de junho; encomendas à indústria de maio; e o diretor do dirigente do Fed Raphael Bostic.

Por aqui, no Brasil, a AGU (Advocacia-Geral da União) apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um plano de ressarcimento para 1,5 milhão de vítimas de descontos indevidos no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com início dos pagamentos previsto para 24 de julho. Quem aceitar o acordo receberá os valores corrigidos pela inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), mas abrirá mão de ações individuais e pedidos de indenização por danos morais. As entidades terão 15 dias úteis para contestar cada caso antes do INSS assumir a devolução. A proposta busca evitar o colapso judicial e proteger as contas públicas, diante do aumento das ações na Justiça. O valor total estimado a ser pago é de R$ 2,1 bilhões.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.