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O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) superou, pela primeira vez, as contratações via crédito imobiliário tradicional da Caixa Econômica Federal, segundo o presidente do banco, Carlos Vieira. O marco foi anunciado na quarta-feira (4) durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2025 e reflete o impacto da criação da Faixa 4, voltada à classe média com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil.

A nova faixa permite financiar imóveis de até R$ 500 mil, com prazo de até 35 anos. A medida também aliviou a pressão sobre o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que sofre com a queda da rentabilidade da poupança frente à alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

O SBPE, tradicional fonte de recursos para crédito imobiliário, teve de ser redimensionado para evitar gargalos, incluindo a redução dos tetos de financiamento: de 80% para 70% pelo sistema SAC e de 70% para 50% na tabela Price.

Minha Casa, Minha Vida: Caixa segue líder no financiamento habitacional

Mesmo com a redução, a Caixa segue como líder isolada no financiamento habitacional, com 66,8% de participação de mercado — e mais de 99% no Minha Casa, Minha Vida.

No trimestre, foram R$ 49,3 bilhões em contratações (SBPE + FGTS), queda de 4,6% em relação ao ano anterior, mas alta de 4,6% frente ao fim de 2024.

Para preservar sua capacidade de crédito, o banco vem reforçando a captação por meio de instrumentos como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), cujo volume cresceu 38,8% em um ano, somando R$ 248,7 bilhões. Os depósitos em poupança também avançaram, atingindo R$ 379,4 bilhões (+5,8%).

Gestão criteriosa

A vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, destacou que o banco vem adotando uma gestão mais criteriosa dos orçamentos do SBPE e do FGTS para manter a previsibilidade. “Estamos cumprindo nosso orçamento com um voo mais estável que no ano passado”, afirmou. Até o momento, dos R$ 124 bilhões previstos para o FGTS em 2025, R$ 116 bilhões já estão liberados.

Ela também celebrou a possibilidade de uso de recursos do fundo do pré-sal para habitação social e a redução do prazo mínimo das LCIs para seis meses, o que torna a captação mais barata.

Segundo ela, essas medidas permitiram o lançamento da nova faixa para a classe média dentro do Minha Casa, Minha Vida, atendendo um público que antes ficava fora do alcance do programa.

Programa Minha Casa, Minha Vida no 1º trimestre de 2025:

  • Faixa 4: Financiamento para famílias com renda de R$ 8 mil a R$ 12 mil mensais e imóveis de até R$ 500 mil.
  • Prazos: Financiamentos de até 35 anos.
  • Impacto: Supera o crédito tradicional pela primeira vez na Caixa.
  • Participação da Caixa: 99% dos contratos do Minha Casa, Minha Vida; 66,8% do mercado total de crédito imobiliário.
  • Captação: Ampliação via LCIs e crescimento dos depósitos em poupança.
  • Gestão do FGTS: Orçamento de R$ 124 bilhões para 2025, com R$ 116 bilhões já disponibilizados.
  • Medidas estruturais em debate: Inclusão do fundo do pré-sal e regras mais flexíveis para LCI.
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