Um novo estudo do Federal Reserve Bank de Nova York aponta que quase 90% do impacto econômico das tarifas comerciais impostas em 2025 recaiu sobre empresas e consumidores estadunidenses. A pesquisa monitorou o efeito do chamado “tarifaço” promovido pelo presidente Donald Trump, que, desde abril do ano passado, elevou tarifas de importação dos EUA sobre diversos países e produtos.
Entre janeiro e agosto de 2025, cerca de 94% dos custos das tarifas foram repassados diretamente aos norte-americanos. Nos meses mais recentes, exportadores estrangeiros começaram a absorver parte do ônus — uma tarifa de 10% correspondeu a uma queda de apenas 1,4% nos preços praticados por quem vende seus produtos para os EUA —, mas o impacto sobre consumidores e empresas ainda permanecia elevado, em 86%.
“Esse resultado significa que uma tarifa de 10% causou apenas uma redução de 0,6 ponto percentual nos preços de exportação estrangeiros”, destacam os economistas Mary Amiti, Chris Flanagan, Sebastian Heise e David E. Weinstein no relatório.
O aumento abrupto das tarifas e seus efeitos
O estudo destaca que, após 2 de abril de 2025 — data apelidada de “Dia da Libertação” pelo presidente Trump, quando anunciou novas tarifas amplas —, a tarifa média de importação nos EUA subiu de 2,6% para 13%. Embora isenções e ajustes nas cadeias de suprimentos tenham reduzido a tarifa efetiva, os custos econômicos continuaram a pesar principalmente sobre o mercado interno norte-americano.
Além disso, os pesquisadores apontam que o aumento das tarifas acelerou a realocação de cadeias de suprimentos fora da China, beneficiando países como México e Vietnã.
Metodologia: análise detalhada de preços e tarifas
Os economistas utilizaram dados mensais de comércio até novembro de 2025 e aplicaram metodologia semelhante à de estudos de 2018 e 2019. Compararam variações anuais nos preços de exportação estrangeiros com alterações nas alíquotas tarifárias, controlando tendências globais e de produtos específicos, o que permitiu estimar o efeito direto das tarifas sobre os preços.
O resultado reforça a percepção de que, apesar do discurso protecionista, o custo das tarifas recai majoritariamente sobre o próprio consumidor americano, enquanto os exportadores estrangeiros absorvem apenas uma fração limitada do impacto.