O Ministério da Fazenda está monitorando de perto os impactos econômicos da escalada de tensão no Oriente Médio. De acordo com o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, os efeitos já começam a se manifestar, especialmente nos preços do petróleo e na movimentação do mercado cambial.
Durigan explicou, em entrevista à Rádio CBN, que a expectativa é de alta no preço do petróleo. Isso porque, em momentos de instabilidade geopolítica, o mercado tende a reagir com apreensão, elevando os valores do barril — especialmente do tipo Brent, referência internacional.
Apesar de já haver sinais de compras que ajudam a conter parte desse aumento, o secretário destacou a importância da política de preços da Petrobras para amenizar possíveis impactos no Brasil: “ O preço do petróleo tende a subir apesar de a gente já ter visto nos últimos dias, nas últimas semanas, alguma compra de petróleo que pode amortecer a subida nesta semana. Vamos acompanhar de perto, acho que algumas mitigações, como a política de preços da Petrobras, são bem-vindas neste momento.”
Nesta segunda-feira, o petróleo tipo Brent chegou a subir 5,7% nos mercados asiáticos, alcançando brevemente US$ 81,40 por barril — o maior valor dos últimos cinco meses. No entanto, com a incerteza sobre a reação do Irã aos ataques americanos, o preço caiu novamente, ficando abaixo de US$ 77.
Corrida para o dólar é outro reflexo da insegurança no Oriente Médio
Uma das maiores preocupações geopolíticas é a possível decisão do Irã de fechar o Estreito de Ormuz — rota marítima por onde transita cerca de 20% do petróleo global. A proposta já foi aprovada pelo Parlamento iraniano, mas ainda precisa passar pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e pela validação do líder supremo, aiatolá Khamenei.
Caso essa medida seja confirmada, pode haver um choque significativo no abastecimento global de petróleo e, por consequência, novas pressões inflacionárias ao redor do mundo.
Outro efeito esperado com o agravamento da crise é o aumento da demanda pelo dólar, considerado um ativo seguro em tempos de incerteza. Durigan mencionou que o mercado já começa a buscar proteção na moeda americana, o que pode gerar valorização do dólar frente ao real.
Benefícios fiscais
Além da tensão internacional, o secretário-executivo também comentou que o governo federal deve apresentar, ainda nesta semana, uma nova proposta para rever os benefícios fiscais concedidos a empresas. O objetivo é tornar esse sistema mais justo e sustentável.
Segundo Durigan, o plano prevê que todas as empresas mantenham a maior parte dos incentivos atuais. mas que abram mão de uma pequena parcela: “Melhor do nosso ponto de vista porque você não tem perda relativa, então você não pode dizer: ‘eu perdi, mas alguém não’. Todo mundo vai manter 90% do benefício que hoje tem, abrindo mão de 10%, mas o benefício segue alto.”
Dados preliminares da Receita Federal estimavam que os incentivos fiscais custavam ao país cerca de R$ 550 bilhões por ano. No entanto, após o governo solicitar que as empresas informassem quais benefícios utilizam, esse número foi revisto — e pode atingir até R$ 800 bilhões anuais.
Esse “arcabouço novo” de revisão fiscal está sendo elaborado em conjunto com a Casa Civil e será discutido com o presidente Lula e líderes do Congresso.