Ouro bate novo recorde com dólar fraco e tensões geopolíticas; entenda

Metal precioso supera US$ 5,3 mil por onça, nesta quarta-feira (28)
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ouro atingiu nesta quarta-feira (28) um novo patamar histórico, ultrapassando US$ 5,3 mil por onça, impulsionado pela queda do dólar e pela busca de ativos considerados mais seguros. O metal registrou alta de até 2% no dia, depois de avançar 3,4% na terça-feira, marcando a maior valorização diária desde abril.

O movimento ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou não se preocupar com a desvalorização da moeda norte-americana, que atingiu o nível mais baixo em quase quatro anos.

No ano, o ouro já acumula valorização de aproximadamente 22%, enquanto a prata disparou cerca de 60%, refletindo o aumento da demanda por proteção em um contexto global de incertezas econômicas e políticas.

A queda do dólar, somada a tensões internacionais, estimulou investidores a se voltarem para o ouro e outros metais preciosos.

Um movimento expressivo de venda de títulos no Japão intensificou preocupações com o alto nível de gastos públicos no país, ao mesmo tempo em que cresce a expectativa de intervenção dos Estados Unidos para apoiar o iene.

Na terça-feira (27), um índice que mede a força do dólar recuou 1,1%, a maior queda diária desde abril, tornando o ouro mais acessível para compradores estrangeiros.

Declarações de Trump e impacto nos mercados

Em Iowa, na terça-feira, Trump declarou que o dólar estava “indo muito bem” e minimizou preocupações com a desvalorização da moeda. Nos últimos dias, suas ações — incluindo ameaças de anexar a Groenlândia, intervenção militar na Venezuela e ataques à independência do Federal Reserve — geraram volatilidade nos mercados.

O presidente também prometeu elevar tarifas sobre produtos da Coreia do Sul e impor taxas de 100% ao Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China.

Política do Fed e estímulo aos metais preciosos

Operadores de títulos aumentaram apostas em uma postura mais branda do Federal Reserve, o banco central estadunidense, diante da possibilidade de que Rick Rieder, da BlackRock, suceda Jerome Powell na presidência do banco central. Expectativas de juros mais baixos favorecem os metais preciosos.

Além do cenário macroeconômico, a valorização do ouro é sustentada por compras de bancos centrais e aumento de investimentos em fundos negociados em bolsa atrelados ao metal. A volatilidade implícita nos contratos futuros da Comex alcançou o maior nível desde março de 2020.

Até o setor de criptomoedas entrou na corrida: a Tether, emissora da stablecoin mais usada do mundo, agora possui cerca de 140 toneladas de ouro.

Prata também dispara

A prata subiu até 3,6%, chegando perto do recorde de US$ 117 por onça registrado na última segunda-feira. O CME aumentou margens nos contratos futuros de prata da Comex, enquanto fundos chineses suspenderam negociações, alegando que o prêmio em relação aos contratos da Bolsa de Futuros de Xangai é “insustentável”.

O movimento indica forte pressão compradora tanto por investidores institucionais quanto por varejistas, refletindo a busca por proteção em um ambiente global marcado por incertezas políticas e monetárias.

 

 

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.