Após acordo com a Petrobras, petroleiros encerram paralisação de 16 dias

Embora tenha aceitado o acordo com a Petrobras, trabalhadores mantêm estado de greve
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Após 16 dias de paralisação, os petroleiros do Norte Fluminense decidiram, em assembleia realizada nesta terça-feira (30), suspender a greve iniciada no último dia 15. A decisão acompanhou o indicativo do Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense), filiado à FUP (Federação Única dos Petroleiros), e foi seguida por toda a categoria, com a aprovação da contraproposta apresentada pela Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A greve foi deflagrada após impasse nas negociações entre a estatal e os trabalhadores, envolvendo, entre outros pontos, reajuste salarial e benefícios. Desde o início do movimento, a Petrobras sustentou que não haveria impacto na produção de petróleo e derivados.

Manutenção do estado de greve

Apesar da suspensão da paralisação, os trabalhadores aprovaram a manutenção do estado de greve e do estado de assembleia permanente. A medida tem como objetivo garantir o cumprimento das cartas-compromisso firmadas pela Petrobras durante o processo de negociação. Também foi aprovado o desconto assistencial ao sindicato, correspondente a 1% do salário líquido, parcelado em três vezes.

A assembleia ocorreu no Teatro Municipal Trianon, em Campos dos Goytacazes, e reuniu cerca de 500 petroleiros, a maior mobilização da categoria neste ano. O indicativo de encerramento da greve e aceitação do acordo foi aprovado por ampla maioria: 446 votos favoráveis, 43 contrários e seis abstenções.

Segundo o coordenador-geral do Sindipetro-NF e diretor da FUP, Sérgio Borges, a greve trouxe “resultados concretos”, com avanços relevantes na negociação, incluindo novos auxílios aos trabalhadores. Para ele, o movimento reafirmou a independência política e sindical da categoria. “A greve cumpriu o seu papel. Conseguimos reafirmar que temos um lado, independentemente do governo, sem abrir mão do compromisso com a democracia”, afirmou.

Avanços no ACT e risco de dissídio

Durante a assembleia, os trabalhadores acompanharam uma apresentação do economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Cloviomar Cararine, que detalhou as conquistas da campanha reivindicatória. De acordo com ele, a contraproposta da Petrobras incorporou 83 mudanças redacionais e novos benefícios, considerados avanços fruto da mobilização.

O assessor jurídico do sindicato, Normando Rodrigues, destacou o risco de judicialização do conflito caso a greve fosse mantida. Segundo ele, dissídios coletivos julgados pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) tendem a ser desfavoráveis aos trabalhadores e podem comprometer a continuidade de cláusulas históricas do acordo coletivo.

Mobilização marcou a greve de 2025

Iniciada à 0h do dia 15, a greve de 2025 entra para a história como uma das maiores da categoria. A base do Norte Fluminense foi a última entre as entidades filiadas à FUP a suspender o movimento. Já no segundo dia de paralisação, 100% das plataformas da Petrobras na Bacia de Campos haviam aderido à greve.

Além das plataformas, houve mobilizações nas bases de Cabiúnas, Imbetiba e no Parque de Tubos, com diferentes níveis de adesão.

Ao longo dos 16 dias, centenas de trabalhadores se concentraram diariamente nas sedes do sindicato em Campos dos Goytacazes e Macaé, realizando atos e ações de convencimento em bases operacionais, no Heliporto do Farol e no Aeroporto de Macaé.

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