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Os preços internacionais do petróleo voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta sexta-feira (13), impulsionados pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelo temor de interrupções no fornecimento global de energia.

O barril do Brent, referência internacional, subia 0,8%, cotado a US$ 100,30. Já o West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos Estados Unidos, era negociado a US$ 95,98.

A alta ocorre após uma forte valorização nas últimas semanas. Desde o início do conflito na região, o petróleo acumula avanço de cerca de 40%, saindo de níveis próximos a US$ 60 no começo de 2026 para patamares que não eram observados desde meados de 2022.

Apesar da trajetória ascendente, os preços chegaram a recuar levemente ao longo do dia após uma medida emergencial do governo dos Estados Unidos. O Tesouro americano autorizou temporariamente a compra de petróleo russo que já estava retido no mar.

A licença tem validade de 30 dias — até 11 de abril — e permite que países adquiram carregamentos de petróleo e derivados da Rússia que tenham sido embarcados até quinta-feira (12). A iniciativa busca aliviar a escassez no mercado internacional de energia.

Cenário segue incerto

Além da medida do governo estadunidense, a Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou na quarta (11) a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, a maior operação desse tipo já coordenada pela instituição.

Mesmo assim, analistas avaliam que o cenário segue altamente incerto. O mercado acompanha especialmente o risco de interrupção no fluxo de petróleo no Oriente Médio, incluindo ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio global da commodity.

A disparada da commodity também reacendeu preocupações com a inflação global. O petróleo é um insumo central para transporte e produção industrial, o que faz com que sua alta se espalhe rapidamente por diferentes cadeias de preços.

Com isso, investidores passaram a revisar suas expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O mercado agora projeta cerca de 20 pontos-base de cortes de juros ao longo de 2026, abaixo dos 50 pontos-base esperados no mês passado.

No Brasil, a disparada do petróleo já mobiliza o governo federal. Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para tentar evitar que a alta da commodity se traduza em aumentos expressivos no preço do diesel.

Entre as ações, o governo decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível e criar uma subvenção para produtores e importadores. A estimativa oficial é que as medidas reduzam em cerca de R$ 0,64 por litro o preço do diesel.

Para compensar a perda de arrecadação, também foi anunciado um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, com o objetivo de capturar parte dos ganhos extras obtidos por produtores com a valorização da commodity.

Papel da Petrobras e impacto na inflação

A preocupação central do governo é evitar que a alta do diesel pressione a inflação. O combustível é fundamental para o transporte de cargas no país e influencia diretamente os custos de alimentos e outros produtos.

Nesse contexto, a Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou a adesão da companhia ao pacote de medidas. Segundo a estatal, a participação no programa é considerada compatível com os interesses da empresa, embora a formalização dependa da publicação das regras pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A companhia ressaltou ainda que mantém sua estratégia comercial baseada na participação de mercado e na busca por rentabilidade sustentável, evitando repassar de forma imediata aos preços internos toda a volatilidade das cotações internacionais do petróleo e do câmbio.

 

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