Reforma da Previdência deve ser retomada em até 10 anos, alerta secretário do Tesouro

Rogério Ceron afirma que, mesmo após reforma de 2019, sistema previdenciário brasileiro precisa de ajustes diante do envelhecimento populacional e da valorização do salário mínimo
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O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou na terça-feira (5) que o Brasil precisará realizar uma nova reforma da Previdência nos próximos dez anos. A declaração foi feita durante o 2º Encontro do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público (CPFO), da FGV, no Rio de Janeiro.

Segundo Ceron, mesmo com o recente avanço da reforma tributária, o país precisará “martelar” o debate da Previdência de forma semelhante à trajetória que levou à aprovação da nova legislação sobre impostos. “É um debate difícil em qualquer lugar do mundo, mas necessário”, afirmou o secretário.

Ceron destacou que a atual valorização real do salário mínimo — política defendida pelo governo Lula como forma de reduzir desigualdades — tem impacto significativo sobre os gastos previdenciários, ampliando o déficit do sistema.

Embora reconheça os méritos sociais da valorização do salário mínimo, Ceron alertou que ela aumenta a pressão sobre as contas públicas e, sem ajustes, pode exigir superávits fiscais mais rigorosos para conter o crescimento da dívida pública.

Rombo da Previdência será de 2,58% do PIB este ano

De acordo com dados do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, o rombo do INSS deve passar de 2,58% do PIB em 2025 (cerca de R$ 328 bilhões) para 11,59% do PIB até 2100, o equivalente a R$ 30,88 trilhões.

O crescimento do déficit da Previdência é impulsionado por mudanças demográficas — menos nascimentos e mais idosos — que reduzem a base de contribuintes e aumentam o número de beneficiários.

Ceron ressaltou que a solução não se limita a ajustes pontuais, como idade mínima, mas exige uma reflexão sobre o modelo de Previdência desejado para o país. “O sistema criado em torno do MEI [Microempreendedor Individual], por exemplo, trouxe uma nova dinâmica que também terá efeitos futuros”, disse.

Especialistas alertam que o atraso em novas reformas tende a aumentar o custo de correção. Para o pesquisador Rogério Nagamine, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ), a reforma de 2019 teve impactos diluídos por mudanças no Congresso, e uma nova rodada deveria ocorrer já em 2027. “Quanto mais você demora, pior fica”, afirmou.

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