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O governo do presidente Lula (PT) negocia com representantes das indústrias brasileiras que exportam para os Estados Unidos uma reação ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vai atingir produtos como o aço, de acordo com o jornal O Globo.

Desde que as medidas foram anunciadas por Trump, o Executivo ainda não anunciou a adoção de nenhuma ação para revidar às tarifas, embora o presidente Lula tenha citado que adotaria o princípio da reciprocidade (ou seja, implementar política semelhante) e recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio).

O presidente dos Estados Unidos anunciou no dia 10 de fevereiro sobretaxa de 25% sobre o aço e o alumínio importados. O decreto atinge, principalmente, Canadá, Brasil, México e Coreia do Sul, que são os principais fornecedores desses produtos siderúrgicos aos EUA. Entre as empresas instaladas no Brasil que mais sentirão os efeitos da medida estão ArcelorMittal, Ternium e CSN.

Essas três empresas lideram as exportações de semiacabados de aço (principalmente laminados planos) para o mercado norte-americano, que totalizaram US$ 2,8 bilhões em 2024.

Segundo reportagem do jornal O Globo, empresários brasileiros de vários segmentos empresariais têm mantido conversas com seus clientes norte-americanos para tentar convencê-los a fazer pressão sobre a Casa Branca. O argumento é de que seus produtos ficarão mais caros com as sobretaxas. As conversas envolvem vários segmentos industriais brasileiros.

Governo espera por pontes com o Trump

Ainda de acordo com a reportagem, o governo também espera que Jamieson Greer, indicado para ser o representante comercial dos EUA, seja logo aprovado pelo Senado. Assim, o Executivo brasileiro espera construir pontes com a equipe de Trump.

Na última sexta-feira, o senador Steve Dainer, do Partido Republicano, foi recebido, em encontros separados, pelo vice-presidente e ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Geraldo Alckmin, e pela secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura Rocha.

As reuniões foram consideradas positivas e trataram, principalmente, de cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Dainer é visto como uma possível ponte entre os governos dos dois países.

O governo brasileiro tentará convencer os EUA que o Brasil não é uma ameaça ao comércio estadunidense. O principal argumento é que as duas economias são complementares.

Etanol

No dia 13 de janeiro, Trump assinou ordem de implementação de tarifas recíprocas, mirando países que, segundo o governo norte-americano, taxam excessivamente produtos dos EUA. Entre os produtos citados por ele, está o etanol brasileiro, produzido com cana-de-açúcar.

A medida, no entanto, ainda levará alguns dias para valer, o que abre espaço para negociações entre os países. O objetivo de Trump é diminuir o déficit da balança comercial estadunidense com alguns países.

Em nota publicada no site da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar e Bioenergia) o setor lamentou a atitude do governo dos EUA.

Trecho da nota diz que “a medida pretende colocar no mesmo patamar o etanol produzido no Brasil e nos Estados Unidos, embora possuam atributos ambientais e potencial de descarbonização diferentes, e portanto não faz sentido falar em reciprocidade. Se a medida se confirmar, será mais um passo dos Estados Unidos rumo ao abandono à rota de combate à mudança do clima”.

Por fim, as duas entidades afirmam esperar que “os estados americanos e a indústria local, comprometidos com o combate à mudança do clima, trabalhem para impedir esse retrocesso proposto pelo governo”.

 

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