Superávit comercial da China passa de US$ 1 trilhão e cresce fora do mercado norte-americano

Embarques para Europa, Austrália e países do sudeste asiático registraram forte avanço ao longo de 2025
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A China ultrapassou, pela primeira vez, a marca de US$ 1 trilhão em superávit comercial no acumulado do ano até novembro. O resultado veio em meio ao esforço das empresas chinesas para redirecionar suas exportações a outros destinos, em busca de reduzir o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.

Com esse movimento, embarques para Europa, Austrália e países do sudeste asiático registraram forte avanço ao longo de 2025.

Os dados oficiais divulgados pela alfândega mostram que as exportações chinesas cresceram 5,9% em novembro na comparação anual. O resultado reverte a queda de outubro e supera com folga a expectativa do mercado, que projetava alta de 3,8%.

Com isso, o superávit comercial do país chegou a US$ 111,7 bilhões no mês — o maior desde junho e acima das estimativas de analistas.

EUA x China: mudança estratégica nos fluxos

Após a eleição de Donald Trump em 2024, a China acelerou a diversificação de seus mercados de exportação. O país fortaleceu acordos com a União Europeia, aprofundou relações no sudeste asiático e ampliou a presença de suas empresas no exterior para produzir em regiões com tarifas mais baixas.

O efeito é nítido nos números:

  • Exportações para os EUA caíram 29% no ano até novembro.
  • Vendas para a União Europeia cresceram 14,8%.
  • Remessas para a Austrália subiram 35,8%.
  • Países do sudeste asiático importaram 8,2% mais produtos chineses.

A forte queda no fluxo para os EUA ocorreu apesar das recentes negociações entre Trump e o presidente Xi Jinping, que resultaram na redução de algumas tarifas após encontro em outubro. Ainda assim, a tarifa média cobrada pelos EUA sobre produtos chineses permanece em torno de 47,5%, nível que, segundo especialistas, compromete significativamente as margens das empresas chinesas.

Setores como eletrônicos, máquinas e semicondutores têm sido essenciais para sustentar o crescimento das exportações, especialmente diante da alta nos preços de componentes mais simples e da busca das empresas por internacionalização.

Moeda chinesa reage e governo sinaliza estímulos

O yuan se valorizou após a divulgação dos dados, impulsionado pelo desempenho melhor do que o esperado nas exportações. Investidores também aguardam posicionamentos sobre os juros e sobre a política econômica para 2026.

O Politburo, principal órgão decisório do Partido Comunista Chinês, prometeu medidas para estimular a demanda interna — um passo considerado fundamental por analistas, especialmente diante da fragilidade do setor imobiliário.

Nos próximos dias, líderes do governo se reúnem na Conferência Central de Trabalho Econômico, onde serão definidas metas e prioridades para o próximo ano.

Economistas calculam que as restrições impostas pelos EUA reduziram o crescimento das exportações chinesas em cerca de 2 pontos percentuais, o equivalente a 0,3% do PIB.

Sinais mistos na indústria e no comércio

Embora novembro tenha mostrado melhora nos pedidos de exportação, o ritmo ainda é considerado fraco pelos fabricantes. A volatilidade recente também expôs os limites da estratégia de antecipar embarques para o mercado americano como forma de mitigar tarifas.

Alguns segmentos, porém, tiveram forte desempenho:

  • Exportações de terras raras cresceram 26,5% no mês — o primeiro período cheio após o acordo entre Xi Jinping e Donald Trump para acelerar o envio desses minerais estratégicos.
  • Importações de soja caminham para um ano recorde, com compradores chineses voltando a adquirir volumes significativos dos EUA e da América Latina.

Por outro lado, a demanda doméstica segue fraca, evidenciada pela queda nas importações de cobre bruto, importante para a construção civil e para a indústria.

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