Superávit não depende só do Executivo, diz Alckmin

Vice-presidente afirma que medida de Gilmar Mendes contra pautas-bomba pode avançar
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Por Júlia Moura

(Folhapress) – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu o ajuste fiscal e disse que ele não depende só do Poder Executivo. As declarações foram dadas em evento do Santander, nesta segunda-feira (17).

“É evidente que para um país em desenvolvimento, nós temos que reduzir essa dívida. A tarefa é ir fazendo o superávit. Então, a meta aqui é de 1%. Vamos subir esse superávit e você vai avançando. Isso não depende só do Executivo. Você tem decisões do Judiciário, que tem impacto econômico, e tem decisões do Legislativo”, afirmou Alckmin.

O vice-presidente disse que a primeira tarefa foi zerar o déficit, mas que a tragédia no Rio Grande do Sul afetou as contas públicas. “Claro que não se pode ignorar os fatos, a gravidade dos fatos e a solidariedade nesses momentos”, disse.

O déficit primário ocorre quando as despesas são maiores que as receitas, excluindo gastos com pagamentos dos juros da dívida.

Segundo dados do Tesouro Nacional, o governo federal registrou déficit primário de R$ 61 bilhões em 2025, e de R$ 43 bilhões em 2024. Para 2026, o governo projeta resultado negativo de R$ 52 bilhões.

O governo federal considera que cumpre a meta de déficit zero nas contas públicas a partir de 2024, mas, para tanto, precisou excluir uma série de gastos do arcabouço fiscal, a regra que rege as despesas públicas no Brasil, aprovada em 2023.

Lula confirma Alckmin como vice na disputa deste ano
Vice na chapa do presidente Lula, Alckmin diz acreditar que vai haver acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifaço (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

Em 2024, gastos de R$ 29 bilhões do governo federal com o auxílio aos atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul ficaram de fora do arcabouço, permitindo que a União fechasse as contas dentro da meta oficial. Ainda assim, com déficit da ordem de R$ 11 bilhões, aplicadas as exceções.

Alckmin afitmou que o problema da dívida pública não é só brasileiro, mas mundial, citando países desenvolvidos, como Japão e Estados Unidos

“Só tem um caminho. É criar uma cultura e combater o privilégio e o desperdício. E aí a sociedade cobrar dos Três Poderes.”

O vice-presidente também citou a discussão no STF (Supremo Tribunal Federal) que pode colocar fim a pautas-bomba.

“Tudo que não tiver previsão fiscal é ilegal. É imposto que funciona. Se eu criar um gasto e eu não disser de onde vem a receita ou o que eu vou cortar, ele não funciona. Então, eu diria que o Judiciário pode ajudar”, disse Alckmin.

Diante do avanço de novas pautas-bomba no Congresso Nacional, o ministro Gilmar Mendes propôs a edição de uma súmula para definir que toda proposta legislativa que não obedeça a esses parâmetros seja automaticamente declarada inconstitucional.

“O ministro Gilmar Mendes poderá avançar. E eu sempre digo, não tem pauta-bomba contra o governo. É contra o povo. O governo não fabrica dinheiro, ele tira da sociedade”, afirmou Alckmin.

Tarifaço

Sobre as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, Alckmin voltou a dizer que o governo federal considera a medida como injusta e descabida, dado o superávit norteamericano na balança comercial.

“Os Estados Unidos têm déficit com o mundo inteiro, mas tem superávit com Brasil, Reino Unido e Austrália, Só os três. Então, não é justo. Se não é justo, a gente tem que trabalhar para resolver”, afirmou o vice.

Ele citou o início do processo de Lei de Reciprocidade, mas disse que a intenção não é retaliar.

“Olho por olho, no máximo que pode acontecer é todo mundo ficar cego. Nós defendemos livre comércio, acordos e multilateralismo. Para isso precisa ter regra, para isso existe a OMC [Organiação Muncial de Comércio].”

Alckmin também diz acreditar que vai haver acordo entre o Brasil e os Estados Unidos.

“Vamos trabalhar firme para reverter esse cenário. O Brasil não sai da mesa de negociação. Vamos ter um pouco de paciência que as coisas vão andar e andar bem. E nós não temos que entrar em briga de Estados Unidos com China. O Brasil tem que defender os seus interesses, não brigar com nenhum dos dois.”

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