Tarifaço de Trump: veja os estados brasileiros mais afetados; SP lidera

Amcham aponta que, além de SP, Rio, Minas, Espírito Santo e Rio Grande do Sul serão os mais afetados
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Enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) atua como biruta de aeroporto no caso do tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dados da Amcham Brasil apontam que São Paulo será o estado brasileiro mais afetado com a entrada em vigor do tarifaço a partir de 1º de agosto. Os demais são Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Os números da Amcham mostram que esses estados responderam por mais de 70% do total de exportações brasileiras para os EUA no 1º semestre de 2025. Com a tarifa anunciada por Trump, esses estados correm o risco de ver suas indústrias perderem competitividade. Veja abaixo os números:

São Paulo

  • Exportações aos EUA: US$ 6,4 bilhões (31,9%)
  • Principais produtos: suco de frutas, aeronaves, equipamentos florestais

Rio de Janeiro

  • Exportações aos EUA: US$ 3,2 bilhões (15,9%)
  • Principais produtos: óleo bruto de petróleo, produtos semiacabados de ferro e aço, óleos combustíveis

Minas Gerais

  • Exportações aos EUA: US$ 2,5 bilhões (12,4%)
  • Principais produtos: café não torrado, ferro gusa, máquinas de energia elétrica

Espírito Santo

  • Exportações aos EUA: US$ 1,6 bilhão (8,1%)
  • Principais produtos: ferro e aço semiacabados, cimento, cal, celulose

Rio Grande do Sul

  • Exportações aos EUA: US$ 950,3 milhões (4,7%)
  • Principais produtos: tabaco, calçados, máquinas de energia elétrica

Impacto das tarifas de Trump nos portos brasileiros

Com quase 90% das exportações brasileiras realizadas por navios, os portos também podem ser afetados:

  • Porto de Santos (SP): origem de 1/3 das exportações aos EUA
  • Portos do RJ e ES: Itaguaí (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES) também se destacam

Estados mais expostos nas importações dos EUA

Caso o Brasil adote retaliações comerciais com base na Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, os seguintes Estados seriam mais impactados nas importações:

São Paulo

  • Importações dos EUA: US$ 6,7 bilhões (31,2%)
  • Principais produtos: medicamentos, inseticidas, máquinas de processamento de dados

Rio de Janeiro

  • Importações dos EUA: US$ 4,6 bilhões (21,3%)
  • Principais produtos: motores industriais, óleos combustíveis, carvão

Bahia

  • Importações dos EUA: US$ 1,2 bilhão (5,6%)
  • Principais produtos: óleos combustíveis e brutos de petróleo, elementos químicos

Minas Gerais

  • Importações dos EUA: US$ 1,1 bilhão (5,4%)
  • Principais produtos: máquinas industriais, carvão, polímeros

Espírito Santo

  • Importações dos EUA: US$ 1,1 bilhão (5,2%)
  • Principais produtos: aeronaves, carvão, veículos de passageiros

Comércio bilateral cresce, mas superávit é americano

Mesmo com tarifas já em vigor desde abril (10%) e de 50% para aço e alumínio desde junho, o comércio entre Brasil e EUA cresceu no primeiro semestre:

  • Exportações brasileiras aos EUA: US$ 20 bi (+4,4%)
  • Importações do Brasil dos EUA: US$ 21,7 bi (+11,5%)
  • Superávit americano: US$ 1,7 bi (em 2024 era de US$ 300 mi)
  • Setores como aeronaves, sucos, carne bovina e café puxaram o desempenho positivo. Já celulose e máquinas tiveram retração.

Tensão política e risco comercial

A ameaça de tarifa de 50% surgiu após Trump enviar uma carta ao presidente Lula criticando a “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro e alegando prejuízos comerciais dos EUA — argumento desmentido por dados oficiais.

Trump afirmou que qualquer retaliação brasileira será revidada com novas tarifas. A Amcham Brasil alerta:

“O anúncio tem potencial de inviabilizar parte expressiva das exportações brasileiras. É urgente uma solução diplomática negociada”.

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