O governo de Donald Trump substituiu as antigas sobretaxas de 40% e 50% por uma alíquota global de 10% sobre parte das importações, aliviando temporariamente a carga tarifária sobre produtos importados de diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil. Segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), cerca de 34,9% da pauta exportadora do país, equivalente a US$ 14,9 bilhões, passou a enfrentar tarifas menores no acesso ao mercado estadunidense.
A medida entrou em vigor em 24 de fevereiro e tem vigência de 150 dias, baseada na Seção 122 da lei de comércio dos EUA, instrumento usado para lidar com desequilíbrios no balanço de pagamentos. O presidente Donald Trump indicou que a alíquota poderá ser elevada para até 15% ao fim do período.
Com a mudança, a participação de produtos brasileiros sujeitos à sobretaxa adicional de 10% saltou de 13,2% para 40% da pauta exportadora aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a parcela de bens não sujeitos a tarifas cresceu de 37,5% para 45,6%, ampliando o número de mercadorias com acesso mais competitivo ao mercado norte-americano.
Produtos como máquinas e equipamentos industriais, açúcar bruto, café solúvel, álcool etílico, transformadores elétricos, tratores agrícolas, pedras ornamentais e itens florestais foram diretamente beneficiados. Em muitos casos, mercadorias que antes enfrentavam sobretaxas de 50% passaram a ter alíquota de apenas 10%, reduzindo significativamente os custos de exportação.
Tarifas estratégicas permanecem
Apesar do alívio, as tarifas impostas por razões de segurança nacional — previstas na Seção 232 da legislação americana — permanecem inalteradas. Esses produtos, concentrados nos setores de aço, alumínio e autopeças, representam 14,4% das exportações brasileiras para os EUA, mantendo um nível de incerteza para o comércio bilateral.
A Ordem Executiva também ampliou a lista de produtos excluídos das sobretaxas, incluindo aeronaves, partes aeronáuticas, nióbio, zinco, estanho, óxidos metálicos e outros insumos industriais.
Os 15 principais itens isentos concentram quase 80% do valor exportado pelo Brasil nesse grupo, segundo dados de 2024 da U.S. International Trade Commission (USITC).
Alívio temporário e perspectiva futura
Segundo a Amcham, embora a redução de alíquotas represente um alívio relevante, o efeito positivo é condicionado ao caráter temporário da medida e à possibilidade de nova elevação das tarifas.
A manutenção das tarifas estratégicas e a incerteza sobre ajustes futuros continuam a influenciar as decisões de exportação no curto prazo, mantendo um ambiente volátil para o comércio bilateral.