Entenda a estratégia do governo Trump de comprar ações de empresas

Movimento indica nova fase da política industrial dos EUA, com o Estado assumindo papel ativo em empresas estratégicas para enfrentar a China
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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara um novo passo em sua política industrial: está negociando a compra de uma participação acionária na Intel, uma das maiores fabricantes de chips do país. A informação foi revelada na quinta-feira (14) em reportagem da Bloomberg, e levou as ações da empresa a dispararem até 8,9% na Bolsa de Nova York, fechando em alta de 7,4%.

O movimento ocorre após Trump afirmar, no início do mês, que o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, deveria renunciar “imediatamente” — uma declaração incomum em uma economia que preza pelo livre mercado. Agora, com o interesse do governo em se tornar sócio da empresa, os contornos intervencionistas da estratégia da Casa Branca ficam mais claros.

Segundo fontes ligadas à negociação, um fator decisivo para o aporte será a aceleração da construção da nova fábrica da Intel em Ohio, prometida como a maior unidade de semicondutores do mundo, mas que enfrenta sucessivos atrasos. A empresa já vem cortando custos e demitindo funcionários diante dos prejuízos bilionários no setor de fabricação de chips, em que perde competitividade frente à rival taiwanesa TSMC.

Disputa de Trump com a China

A possível participação do governo na Intel se soma a outros movimentos recentes de Trump para fortalecer setores considerados estratégicos diante da disputa geopolítica com a China.

A estratégia, no mínimo curiosa em um país onde o livre mercado dita as regras, faz parte da promessa de campanha de Trump de “Fazer a América Grande Novamente (Make America Great Again)”, forçando a retomada da indústria norte-americana a qualquer custo.

Neste mês, a Casa Branca também negociou com Nvidia e AMD a destinação de 15% das receitas de chips para o governo, numa espécie de parceria compulsória. Em outra frente, o Departamento de Defesa anunciou a aquisição de participação preferencial de US$ 400 milhões na MP Materials, produtora de terras raras — tornando o Pentágono seu maior acionista.

Além disso, em uma operação anterior, o governo americano adquiriu uma “golden share” na US Steel como condição para aprovar a venda da empresa à japonesa Nippon Steel, garantindo poder de veto sobre decisões estratégicas.

Guinada na política industrial

Segundo analistas, o padrão de atuação revela uma guinada na política industrial dos EUA. “Estamos vendo o governo adotar uma abordagem ativa, quase direta, para moldar setores estratégicos”, afirmou Geoffrey Gertz, do Center for a New American Security, à Bloomberg.

Ele destaca que os acordos seguem o modelo da MP Materials, combinando investimento acionário, compras públicas, financiamento e parcerias institucionais.

Procurada, a Intel não comentou as negociações, mas declarou estar “profundamente comprometida em apoiar os esforços do presidente Trump para fortalecer a liderança dos EUA em tecnologia e manufatura”.

 

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