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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou elevar de 15% para 25% as tarifas aplicadas a produtos importados da Coreia do Sul, caso o Parlamento do país asiático não aprove um acordo comercial firmado entre os dois governos no ano passado. A advertência foi feita em uma postagem em sua na rede social Truth Social, na noite desta segunda-feira (26), e reacende tensões em uma relação econômica considerada estratégica para Washington.

Segundo Trump, o pacto foi fechado diretamente com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, em 30 de julho de 2025, e teve seus termos reafirmados durante uma visita oficial do líder estadunidense a Seul, em outubro do mesmo ano. Para o republicano, a ausência de ratificação legislativa viola o “espírito” do entendimento firmado entre os Executivos dos dois países.

Na publicação, Trump afirmou que os Estados Unidos cumpriram rapidamente sua parte no acordo, reduzindo tarifas conforme o previsto, e cobrou tratamento equivalente por parte da Coreia do Sul. Como forma de pressão, anunciou a intenção de elevar as tarifas sobre automóveis, madeira, produtos farmacêuticos e outras categorias abrangidas pelas chamadas tarifas recíprocas.

“Nossos acordos comerciais são muito importantes para a América. Em cada um desses acordos, agimos rapidamente para reduzir nossas TARIFAS de acordo com a transação acertada. Naturalmente, esperamos que nossos parceiros comerciais façam o mesmo”, diz trecho da postagem. “O Legislativo da Coreia do Sul não está cumprindo sua parte no acordo com os Estados Unidos. O presidente Lee e eu fechamos um grande acordo para ambos os países em 30 de julho de 2025, e reafirmamos esses termos enquanto eu estava na Coreia, em 29 de outubro de 2025. Por que o Legislativo coreano ainda não o aprovou?”, continua Trump.

O discurso reforça uma das marcas da política comercial do atual mandato: a defesa explícita da reciprocidade tarifária e o uso de medidas punitivas como instrumento de negociação. Setores sensíveis e de alto impacto econômico costumam ser os primeiros a entrar na mira da Casa Branca, tanto pelo efeito direto sobre as cadeias produtivas quanto pelo potencial de gerar reação política interna nos países afetados.

Escalada retórica como estratégia diplomática

A ameaça contra a Coreia do Sul não ocorre de forma isolada. Nas últimas semanas, Trump tem intensificado declarações duras contra diferentes parceiros comerciais, ampliando a percepção de instabilidade no cenário internacional. O presidente já afirmou que poderia impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso o país avance em acordos com a China, além de sugerir novas taxas sobre mercadorias europeias em meio a disputas diplomáticas envolvendo a Groenlândia.

Em outra frente, Trump declarou que pretende taxar exportações de países que mantêm relações comerciais com o Irã, numa tentativa de aumentar a pressão econômica sobre Teerã em meio a protestos internos. Em todos esses episódios, o elemento comum tem sido o uso da ameaça tarifária como ferramenta de coerção política e diplomática.

Entre a retórica e a implementação

Apesar do tom agressivo, nenhuma das tarifas anunciadas recentemente foi, até o momento, efetivamente implementada. A recorrência desse padrão — anúncios duros seguidos de recuos ou indefinições — tem mantido investidores, governos estrangeiros e agentes do comércio internacional em estado de alerta, atentos para saber se as ameaças se converterão em medidas concretas.

No caso da Coreia do Sul, a pressão pública sobre o Legislativo adiciona um novo elemento de tensão, ao expor os limites entre acordos firmados no âmbito executivo e os processos institucionais internos de cada país. O desfecho pode servir como termômetro para a disposição de Trump em transformar retórica em ação e para a capacidade de seus parceiros de resistir ou ceder a esse tipo de pressão.

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