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Por Gabriel Gomes
A organização não governamental Educação e Cidadania de Afrodescendentes (Educafro) ajuizou, nesta sexta-feira (21), uma ação civil pública contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A entidade busca a responsabilização das duas organizações do esporte por omissão na repressão a atos de racismo no futebol brasileiro e sul-americano.
“A CBF e a Conmebol têm sido omissas e coniventes com o racismo no futebol, aplicando punições brandas e não adotando medidas eficazes para prevenir e reprimir atos racistas”, diz a Educafro.
A ação civil busca indenização de 20% do faturamento bruto anual dessas entidades, correspondente a R$ 750 milhões por danos morais coletivos causados contra a comunidade afro-brasileira, a ser destinada ao fundo de reconstituição dos bens lesados, além de exigir que a Conmebol defina um representante legal no Brasil.
Educafro cita caso de racismo contra Luighi
Na ação, a entidade cita o caso de racismo sofrido pelo jogador Luighi Hanri Sousa Santos, da equipe sub-20 do Palmeiras. Luighi foi alvo de insultos racistas durante o jogo contra o Cerro Porteño, pela Libertadores Sub-20.

Entidade cita o caso de racismo sofrido pelo jogador Luighi Hanri Sousa Santos. (Foto: Reprodução)
As imagens da transmissão da TV mostraram um homem imitando um macaco no Estádio Gunther Vogel, em Assunção. Na entrevista ao fim do jogo, Luighi, em lágrimas, cobrou do jornalista o fato de não fazer perguntas sobre o ocorrido. O clube paraguaio recebeu uma multa de US$ 50 mil (cerca de R$ 284 mil) e teve que disputar o restante da competição com portões fechados.
Segundo o Frei David Santos OFM, diretor executivo da Educafro, “a CBF tem sido omissa na qualificação do combate antirracista. Ainda, entendemos que todas as entidades de cada país filiado são corresponsáveis pelos acertos ou erros da Conmebol”.
“Como o racismo tem acontecido de forma recorrente e sistemática contra o futebol brasileiro, estamos convictos de que a CBF é responsável e deve assumir sua culpa na reparação do dano”, completa.
Presidente da Conmebol comparou Libertadores sem brasileiros a ‘Tarzan sem Chita’
Durante o sorteio da fase de grupos da Libertadores e da Copa Sul-Americana, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, afirmou que não consegue imaginar a principal competição do continente sem a presença de equipes do Brasil. “Isso seria como Tarzan sem Chita. Impossível”, declarou.

Presidente da Conmebol comparou Libertadores sem brasileiros a ‘Tarzan sem Chita’. (Foto: Reprodução)
Ainda durante seu discurso, Domínguez afirmou que buscará parcerias com órgãos governamentais e entidades associadas para promover ações de combate ao racismo no futebol sul-americano.
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