Empresário preso por morte de gari pediu à esposa delegada para ocultar arma do crime

Mensagens enviadas de dentro da delegacia mostram que Renê Nogueira tentou enganar a polícia após prisão; delegada ignorou
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, tentou manipular as investigações logo após ser preso. De dentro da delegacia, ele enviou mensagens para a esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, pedindo que entregasse à polícia uma arma diferente da usada no assassinato.

As conversas, apagadas por Renê no dia do crime, em 11 de agosto, foram recuperadas pela Polícia Civil de Minas Gerais e anexadas ao inquérito encaminhado ao Ministério Público. O material mostra que, além de tentar enganar os investigadores, o empresário também alegou inocência em uma das mensagens, afirmando à esposa: “Estava no lugar errado na hora errada. Amor, eu não fiz nada”.

No momento em que foi abordado por militares em uma academia de luxo, Renê já havia enviado áudios à esposa pedindo que fosse até o local. Mais tarde, na delegacia, ele insistiu para que Ana Paula entregasse uma pistola de nove milímetros em vez da arma de calibre .380 utilizada no crime. A delegada, no entanto, não respondeu às mensagens, segundo a polícia.

preso
“Entrega a nova milimetros”, “Não pega a outra”, “Na novela militares não tem nada” (Foto: Reprodução/PCMG)
“Estava no lugar errado na hora errada. Amor, eu não fiz nada” (Foto: Reprodução/PCMG)

O que mostram as investigações

O delegado responsável pelo caso, Evandro Radaelli, afirmou que Ana Paula não consentiu com a tentativa de obstrução, “Ana Paula não respondeu [as mensagens do marido], tampouco anuiu [concordou] com o seu plano [de atrapalhar as investigações]”.

Porém, a investigação concluiu que ela permitia que o marido utilizasse sua arma com frequência, motivo pelo qual também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

A perícia no celular de Renê revelou ainda que, após o assassinato, ele pesquisou na internet as consequências legais do crime e acompanhou a repercussão na imprensa por meio do rádio do carro que dirigia.

Indiciamentos do empresário e delegada

Empresário responderá por homicídio duplamente qualificado, ameaça contra a motorista do caminhão de lixo e porte ilegal de arma. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão. Já Ana Paula pode pegar de dois a quatro anos de detenção, pena que pode aumentar por ser servidora pública. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou um procedimento administrativo contra ela.

Defesa das partes

A defesa do empresário criticou a divulgação das mensagens, alegando violação de sigilo de comunicações garantido pela Constituição. Já o advogado da família da vítima, Tiago Lenoir, disse que a conduta da delegada precisa ser apurada com rigor, apontando possível omissão.

“As mensagens revelam tentativas de interferência nas investigações. Como advogado da família do gari Laudemir, reafirmo que não descansarei até que todos os responsáveis, por ação ou omissão, sejam punidos com o rigor da lei.”, afirmou Lenoir.

A defesa de Ana Paula não foi localizada.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail