*Publicada originalmente às 8h52
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) mantinha um contrato com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que previa o pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos. Liquidado pelo Banco Central (BC), o Master foi alvo da da Operação Compliance Zero, que combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
O contrato da esposa de Moraes com o banco determinava a prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica ao banco, com remuneração mensal prevista de R$ 3,6 milhões a partir do início de 2024. O documento foi localizado pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo.
O documento foi encontrado no celular de Vorcaro, com detalhes sobre a remuneração e o escopo dos serviços. O contrato determinava que o escritório deveria representar o banco “onde for necessário”, sempre que acionado. Caso tivesse sido integralmente executado, o acordo renderia R$ 129 milhões ao escritório, montante que não será pago devido à liquidação extrajudicial do banco.

As mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que o pagamento ao escritório de Viviane Barci de Moraes era tratado como prioridade. Vorcaro afirmava que os repasses “não podiam deixar de ser feitos em hipótese alguma”.
Deflagrada no mês passado, a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga um esquema de fraude bilionária envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, o Master teria vendido carteiras de crédito sem lastro ao BRB, com a anuência do então presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa, que foi afastado do cargo. Daniel Vorcaro chegou a ser preso na operação e foi solto na semana passada.
Banco Master e o STF
No final do mês passado, o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo, viajou a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras no mesmo avião particular em que estava um advogado que atua na defesa de um dos diretores do Banco Master.
Toffoli embarcou em um jatinho do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore. No voo também estavam o advogado Augusto Arruda Botelho, que representa o diretor de compliance do Master Luiz Antônio Bull em processos no STF, e o ex-deputado Aldo Rebello. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo.

O colunista do ICL Notícias Luís Costa Pinto detalhou, no Desperta ICL, quem é Luiz Pastore, dono do jato em que viajou o ministro Dias Toffoli. “O Luis Osvaldo Pastore é um empresário de 76 anos, com base no Espírito Santo, e que se notabiizou como suplente do senador Gerson Camatta, do PMDB, ex-governador, que tinha alguns empresários que o mantinham. Depois, Pastore se tornou suplente da senadora Rose de Freitas, também do ES, e assumiu o mandato em 2021/2022 e foi candidato, em 22, a suplente da Flávia Arruda, mulher do Augusto Lima, sócio do Vorcaro. Ele foi o principal doador de campanha da Flávia Arruda. Foi esse personagem cujo o avião Toffoli entrou”.
“O Pastore tem ligações com a extrema direita da Itália. Ele foi candidato ao Senado na Itália pelo partido de extrema direita, que deu origem à briga da extrema direita italiana e o livro ‘Os engenheiros do caos’, de onde surgiu essa estratégia dos extremistas de intervenção, por redes sociais, no mundo da política. Esse é o personagem, Luis Osvaldo Pastore, em cujo o avião o ministro do STF, Dias Toffoli, se deu ao desfrute de entrar, de voar para Lima, voltar para São Paulo”, completou Luís Costa Pinto.
A final da Libertadores ocorreu em 29 de novembro. No dia anterior, 28, Toffoli havia sido sorteado para relatar no STF um recurso apresentado pela defesa do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro colocou o processo sob sigilo máximo. Ele recebeu os autos depois que a Polícia Federal encontrou, em um endereço ligado a Vorcaro, um envelope com o nome do deputado João Carlos Bacellar (PL-BA), o que levou o caso ao Supremo, responsável por julgar parlamentares.