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Com suas filosofias e normas de pensamento, o mundo eurocidental impôs ao homem moderno formas de pensar a vida bastante rígidas.

Este pensar, universal e globalizado, não é suficiente quando chamamos para a conversa este filósofo das subversões que se chama Exu, divindade do inacabado, das diversas formas de se estar no mundo e de o questionar.

Exu Laroiê, o comunicador, aquele que quebra as verdades universais, que quebra as certezas, nos propõe o exercício da nossa capacidade de ver por outros ângulos.

Brincando com o tempo cronológico instituído pelos homens, Exu é a própria dinâmica da vida em suas variáveis. Nada passa desapercebido para esta divindade, ele transita entre as fases da existência, dialogando de forma polifônica, observando e escutando tudo que o mundo lhe diz.

Exu é atemporal e quântico, não se submetendo às regras temporais estabelecidas pelo homem.

Exu nos convoca a transcender as fronteiras predefinidas, pois para ele tudo está em constante construção e descoberta.

“Exu jogou uma pedra hoje que atingiu o homem ontem”.

Futuro, passado e presente se mesclam. O que irá acontecer amanhã, para Exu pode estar acontecendo ontem. Ele representa as possibilidades dentro das impossibilidades de nossas mentes condicionadas.

O pensar, para este Orixá, é uma das maiores potências dos seres: pensar é caminho, é transpor barreiras e desafios que ele nos apresenta.

“Exu inugbarijo” — Exu a boca do mundo! Aquele que transporta as mensagens dos seres humanos e suas ofertas às divindades.

Exu é o orixá que mais se assemelha a nós, humanos. Ele bebe, fuma, come, se irrita, bagunça com o mundo estático e imóvel, pois o mesmo é potência viva, e está no meio de nós!

A fala, o prazer, as comunicações, dinâmica e procriação a Exu pertencem!

A mediocridade do pensar irrita Exu, por isso ele quebra com as normas conclusas e os métodos únicos. Este orixá nos convoca para que transbordemos e saiamos das margens delimitadoras de uma paralisia do pensamento imposta por uma cosmovisão dominante.

Exu nos chama a uma cosmopercepção onde tudo se move, tudo se transforma e, para ele, muitas vezes, é do caos que vem a harmonia.

O preconceito de alguns a este orixá ocorre em virtude de ele ser revolucionário, transgressor e subversor das ordens.

Diante dos juízos de valor e moral incontestes, Exu ri, pois para ele quem o julga é covarde por não escutar e sentir novos sabores da vida, e não se aperceber que a alienação é um projeto de dominação de mentes e corpos. Por isso, ele nos oferta estes ebós (oferenda) para serem ouvidos neste mundo polifônico, quântico e atemporal, ora apresentado por Exu.

Exu é libertador, Exu é o galo que canta no primeiro momento do amanhecer nos chamando à vida. Exu é a gargalhada que rasga a noite, o gato que mia, os animais com cornos gigantes, símbolos de poder. Exu é a bebida destilada que nos tira da inércia e nos faz falar demais sem a sabedoria e a cautela relativa que somente ele tem.

Mas ele avisa: beba comigo, mas não beba como eu!

Exu domina as transformações, ele é a transmutação dos seres e das coisas. Exu é potência viva!

“Exu Elegbara” — Aquele que tem potência!

Ouçam Exu nos caminhos e encruzilhadas duvidosas, pois certezas únicas advêm da arrogância colonial!

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