Flávio Bolsonaro tem dublê de Zélia e cover de PC Farias

Há semelhança na atuação de Willer Tomar e o tesoureiro de Collor; coordenadora de Economia lembra gestos da ministra do confisco da poupança.
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O noticiário político, policial e econômico indica que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) tem um cover de PC Farias e uma dublê de Zélia Cardoso de Mello.

Tesoureiro e sócio em negócios da corrupção federal com o ex-presidente Fernando Collor (1990-92), o empresário Paulo César Farias seria o advogado Willer Tomaz, uma hipotética versão atualizada do capo alagoano. As funções são muito parecidas.

Repare o que trouxe o ICL Notícias sobre WT:

Emails obtidos pela Polícia Federal na investigação sobre os descontos indevidos em aposentadorias do INSS indicam que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tinha uma conta bancária vinculada ao mesmo usuário administrador de contas do advogado Willer Tomaz, suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes previdenciárias.

Os dois negam qualquer vínculo financeiro, mas os vínculos não param por aí. Há um festival de revelações sobre laços empresariais e de amizade antiga.

A dublê da ex-ministra da Fazenda do governo Collor seria Daniella Marques, coordenadora do programa econômico do candidato do PL. A falta de transparência sobre as possíveis medidas de Flávio tem realçado o apelido.

A economista se recusa a fornecer detalhes sobre o tesouraço anunciado pelo filho de Jair desde o lançamento da candidatura, em junho, quando desfilou ao lado do presidente da Argentina, Javier Milei – o homem que usa uma motosserra como símbolo dos cortes nos programas sociais em Buenos Aires.

“Eu não sou a Mãe Diná”, chegou a reagir a candidata a ministra da Economia bolsonarista. Esse comportamento só reforçou a comparação com a imprevisível Zélia do confisco da Poupança do Plano Collor.

Daniella, óbvio, rejeita a ideia de imitar a colega do ramo.

Por mais bizarro e incrível que pareça, um dia depois da posse, em 16 de março de 1990, o presidente  Collor decretou o confisco da poupança dos brasileiros. O anúncio foi feito pela ministra Zélia, em uma das coletivas de imprensa mais chocantes da história do país — os jornalistas não compreendiam o que estava ocorrendo e quanto mais as autoridades “explicavam” mais ficava confuso.

Cada pessoa ou empresa poderiam ficar apenas com 50 mil cruzeiros. O resto foi sequestrado em poder do Banco Central. Em outubro de 1992, Collor renunciou ao cargo, depois que o Congresso concluiu o seu processo de impeachment. O presidente que havia sido eleito com a bandeira do moralismo e da ética foi derrubado por fazer parte de um esquema de falcatruas montado por PC.

Somente trinta anos depois do confisco, em maio de 2020, o então senador alagoano pediu desculpas em uma postagem no Twitter: “Acreditei que aquelas medidas radicais eram o caminho certo. Infelizmente errei. Gostaria de pedir perdão a todas aquelas pessoas que foram prejudicadas pelo bloqueio dos ativos”.

O pedido virou meme para uns e revolta para a maioria das pessoas nas redes sociais, inclusive brasileiros que haviam sido vítimas do plano econômico do ex-presidente.

Um mês depois, Collor jogou fora as sandálias da humildade e fez piadinha com o tema em uma nova postagem: “Voltei, pessoal! Ainda bem que não foi confisco, foi um bloqueio temporário!”. O político havia sido bloqueado temporariamente pela direção do Twitter no Brasil. Com o trocadilho, tentou negar mais uma vez que o seu governo tenha confiscado recursos das pessoas.

O que não falta nesse caso do confisco é anedota. Com juras de amor, a ex-ministra Zélia, ainda naquele tenebroso começo dos anos 1990, foi casada com Chico Anysio, o mais importante comediante do país. Ainda não vivíamos os tempos dos “memes” e das redes sociais, mas a chacota correu de boca em boca em todo Brasil: “Pela primeira vez na história, o humorista casou com a piada”.

Além do desastre econômico do Plano Collor, a ex-ministra teve a sua vida privada exposta como nenhuma outra autoridade da República até aquela data. Ela mesma colaborou com alguns capítulos a mais nessa exploração midiática ao revelar bastidores do poder e os seus segredos amorosos no livro “Zélia, uma Paixão”, publicado pelo escritor Fernando Sabido em 1991.

O episódio mais famoso é o do relacionamento com o ex-ministro da Justiça Bernardo Cabral, seu colega de equipe de governo, um romance que começou ao som do bolero “Besame mucho”, em uma festa na corte brasiliense.

 

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