Por Augusto Tenório, Carolina Linhares, Ana Luiza Albuquerque e João Pedro Abdo
(Folhapress) – O presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), espalhou informações falsas a respeito das urnas eletrônicas em um evento com diplomatas e embaixadores nesta terça-feira (21) em Brasília, repetindo episódio semelhante do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso após ser condenado no processo da trama golpista.
Diante de uma plateia estrangeira, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic –que, segundo um relatório da CIA divulgado na semana passada, estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. A agência de inteligência dos EUA diz que a ideia era alterar votos por meio de urnas pré-programadas.
Flávio mencionou o relatório da CIA e pediu aos diplomatas que enviem o maior número de observadores estrangeiros possíveis para a eleição de 2026.
“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse Flávio.
Ele afirmou também: “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”.
Flávio participou de uma rodada de eventos com presidenciáveis promovida pela consultoria de comunicação Novo Selo Comunicação. A palestra reuniu “lideranças brasileiras e embaixadores, cônsules, chefes de missão e representantes diplomáticos”, segundo os organizadores.
A reportagem procurou a pré-campanha de Flávio para comentar as declarações do senador, mas ainda não houve resposta.
A Folha de S.Paulo já desmentiu boatos relativos à Smartmatic em 2020. A Justiça Eleitoral declarou que a Smartmatic nunca vendeu urnas ou softwares utilizados em urnas para o Brasil, apesar de ter fornecido outros serviços, como treinamento de pessoas para realizarem suporte técnico e operacional para as urnas.
“A Smartmatic celebrou contratos com o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] em outras ocasiões somente para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo”, diz uma nota da Justiça Eleitoral a respeito desse boato.
No mesmo evento, Flávio comentou sobre a reunião de Bolsonaro com embaixadores, afirmando que o pai está inelegível por ter manifestado “uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral”.