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Por Nathalia Garcia

(Folhapress) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse em depoimento à Polícia Federal ter havido “demora injustificada” na fiscalização do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo ele, os dois servidores que chefiavam a área de Supervisão Bancária resistiam a apresentar informações detalhadas sobre o caso da instituição financeira.

As declarações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela Folha. Galípolo prestou depoimento à PF na última terça-feira (6) na condição de testemunha.

Segundo o inquérito, Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e na época chefe adjunto de Supervisão Bancária, teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC. A defesa de ambos nega que eles tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.

Procurado, o advogado Odel Antun, que representa Paulo Sérgio, disse ser “lamentável que a imprensa tenha acesso ao material dos autos antes da defesa.” “Assim que tivermos a oportunidade de ler o depoimento de Galípolo, poderemos comentá-lo”, acrescentou.

Como mostrou a Folha, integrantes do BC relataram que os lançamentos do balanço do Master foram motivo de divergência entre Paulo Sérgio e Galípolo. Uma reunião da diretoria com a equipe técnica no ano passado chegou a ter discussões acaloradas entre eles. À PF Galípolo disse ter feito reuniões tensas com os dois servidores, cobrando providências.

Gabriel Galípolo. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Investigação interna do Banco Central concluiu, conforme relatório obtido pela Folha na época, que Belline simulou contratos de serviços para um projeto social para ocultar recebimento de propina do Master ou de pessoas ligadas ao grupo.

Em nota enviada anteriormente, o advogado Leonardo Palazzi afirmou que o ex-chefe de Supervisão Bancária do BC não recebeu qualquer valor ou benefício do Banco Master. Procurada pela Folha na manhã desta quinta por mensagem via WhatsApp, a defesa de Belline não se manifestou até a publicação da reportagem.

A sindicância do BC também detectou indícios de que Paulo Sérgio simulou a venda de um sítio em Minas Gerais para uma empresa controlada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com o mesmo objetivo de ocultar recebimento de propina.

A conduta dos ex-gestores do BC está sendo analisada pela CGU (Controladoria-Geral da União) desde março em um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) que pode levar à expulsão dos servidores do quadro funcional da autarquia se forem considerados culpados.

Além de Galípolo, a PF também convocou o ex-chefe do BC, Roberto Campos Neto, e o dono do BTG Pactual, André Esteves, para falar à corporação. Os depoimentos deles estavam previstos para esta semana, mas foram adiados. A oitiva do diretor de fiscalização do BC, Aílton de Aquino, está marcada para esta quinta-feira (8).

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