Governo segura formalização da indicação de Messias e frustra antecipação de sabatina

Articulação política adia envio da mensagem ao senado, desarma movimento da CCJ e dá fôlego para messias ampliar apoios
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Por Cleber Lourenço

Membros da articulação política do Palácio do Planalto afirmaram, em caráter reservado, que a decisão de segurar a mensagem oficial da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal é uma manobra deliberada do governo para desmontar a estratégia do senador Davi Alcolumbre de antecipar a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça para o dia 10. O envio da mensagem presidencial é o passo formal necessário para que o Senado possa abrir o processo, ler a indicação em plenário, marcar a sabatina e votar o nome na CCJ e no plenário. Sem o documento, não há rito possível.

A confirmação pública desse movimento veio horas depois, na coletiva concedida pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues. Ao explicar por que o Planalto ainda não enviou a documentação ao Senado, Randolfe deixou claro que o processo só seguirá após uma conversa direta entre Lula e o comando do Congresso. “É necessário ter uma conversa entre o Presidente da República e o presidente do Congresso Nacional. E essa conversa terá isso”, afirmou. Ele ainda relativizou o cronograma definido pela CCJ: “Não há de se falar na data do dia dez se a documentação ainda não for encaminhada”.

Governo segura formalização da indicação de Messias e frustra plano de Alcolumbre de antecipar sabatina
Governo segura formalização da indicação de Messias e frustra plano de Alcolumbre de antecipar sabatina

O congelamento da indicação funciona como resposta política à tentativa de Alcolumbre de imprimir velocidade ao processo. Segundo integrantes da articulação, o senador buscava pautar rapidamente a sabatina para elevar o desgaste do governo e dificultar a reorganização dos votos. Com o atraso proposital, o Planalto retoma o controle do calendário e impede que a antecipação produza um cenário mais hostil a Messias.

Mesmo ao reconhecer a necessidade de mais tempo, Randolfe adotou um tom público de pacificação e blindagem ao presidente da CCJ. “Nós não temos o que se queixar sobre a conduta do senador Alcolumbre”, disse, classificando o impasse como “circunstancial” e apostando que será resolvido após o diálogo direto com Lula. “Eu tenho certeza que vai ter um momento em que o Presidente da República e o presidente Davi irão conversar. Não tem controvérsias e não tem dificuldade para isso”.

Por trás do discurso suave está o cálculo central: Messias ainda precisa consolidar votos. “É um trabalho que o próprio candidato já está fazendo, como todo candidato tem que fazer, que é procurar os votos e conversar”, reconheceu Randolfe, admitindo que a campanha interna do indicado segue em curso.

Nos bastidores, governistas afirmam que uma sabatina antecipada poderia cristalizar resistências na CCJ e empurrar a indicação para um ambiente mais adverso. Adiar o envio da mensagem, portanto, é visto como a única forma de impedir que o rito avance sob condições desfavoráveis.

Ao desmobilizar o calendário imposto por Alcolumbre e segurar a indicação até reorganizar a base, o Planalto tenta criar um terreno mais controlado — com menos pressão, mais articulação e maior margem para que Messias chegue à sabatina com sustentação política suficiente.

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