Governo brasileiro vê ‘factoide’ em alertas de segurança de EUA e Austrália

Autoridades dizem não identificar ameaça que justifique medidas e descrevem cenário como de “normalidade” antes da eleição
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Por Cleber Lourenço e Jamil Chade

 

O governo brasileiro considera um “factoide” as medidas de segurança anunciadas por Estados Unidos e Austrália a dois dias do primeiro turno das eleições. Segundo apuração do ICL Notícias, autoridades nacionais afirmam não haver sinais de violência ou ameaças no país que justifiquem as providências adotadas pelos dois governos estrangeiros.

Uma fonte do alto escalão brasileiro descreveu o cenário como de “normalidade” às vésperas da eleição. Outra classificou a movimentação como uma tentativa de “fazer marola do nada”.

A avaliação ouvida pela reportagem é de que a adoção de precauções por representações diplomáticas em períodos eleitorais não é incomum na América Latina. O estranhamento, neste caso, está na dimensão pública dada às medidas sem que tenha sido apresentada uma ameaça concreta que as justifique.

Entre interlocutores do governo, há também a avaliação de que a repercussão dos alertas pode produzir efeito político na reta final da eleição. Não há, porém, elementos públicos que permitam afirmar que essa seja a intenção dos governos americano e australiano.

Os Estados Unidos suspenderam nesta sexta-feira (2) os serviços consulares na Embaixada em Brasília e nos consulados espalhados pelo país sob a justificativa de “preocupações com a segurança”. Americanos que necessitem de assistência emergencial também foram orientados a não procurar as instalações diplomáticas. O Departamento de Estado não detalhou publicamente a natureza da ameaça nem relacionou a medida à eleição de domingo.

Na sequência, a Austrália fechou sua Embaixada em Brasília, também alegando “preocupações com a segurança”. A representação australiana não informou ter recebido uma ameaça específica contra suas instalações.

A embaixadora australiana no Brasil, Sophie Davies, vinculou a orientação adotada pelo país ao alerta americano. “Em 2 de outubro, EUA emitiram um alerta de segurança para evitar instalações diplomáticas dos EUA devido a preocupações com a segurança”, escreveu.

“Também recomendamos evitar a embaixada dos EUA, os consulados e outras instalações diplomáticas dos EUA no Brasil e nas áreas adjacentes”, acrescentou Davies.

Apesar das medidas, Estados Unidos e Austrália mantiveram o Brasil no nível 2 de cautela para seus cidadãos, sem elevar a classificação geral de risco para viagens ao país. No caso australiano, a orientação continua sendo exercer “alto grau de cautela” devido à ameaça de crimes violentos.

Em comunicado no úlitmo dia 30, a Polícia Federal reforçou sua atuação em todo o país para o período eleitoral e informou que trabalhará no domingo em articulação com a Justiça Eleitoral e demais órgãos envolvidos na segurança do pleito. No comunicado sobre a operação, divulgado na quinta-feira (1º), a corporação não apontou cenário excepcional de ameaça ou violência.

Até agora, os governos americano e australiano também não apresentaram publicamente uma ameaça concreta no Brasil que explique a adoção das medidas extraordinárias.

 

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