Hugo Motta deve segurar CPI do Banco Master em ‘fila’

Mesmo com assinaturas suficientes, pedido apresentado por Rodrigo Rollemberg depende de ato da Presidência da Câmara para sair do papel
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Cleber Lourenço

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sinalizado a aliados que não pretende instalar, ao menos neste momento, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master. A indicação ocorre apesar de o requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) já ter alcançado o número mínimo de assinaturas exigido pelo Regimento Interno da Casa.

Nos bastidores, a justificativa apresentada por Motta é a existência de uma fila de pedidos de CPI protocolados anteriormente. Uma fonte próxima ao presidente da Câmara resumiu a posição adotada internamente: “Tem uma fila de CPIs na frente. Acredito que com essa não será diferente”.

A avaliação é de que o pedido relacionado ao Banco Master deverá seguir o mesmo rito aplicado aos demais, respeitando a ordem cronológica e aguardando uma decisão política da Presidência.

Na prática, a sinalização indica uma postergação da CPI. Embora o número mínimo de assinaturas seja um requisito constitucional para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, a instalação depende de ato formal do presidente da Câmara, responsável por autorizar a criação do colegiado e definir sua composição.

O requerimento apresentado por Rollemberg tem como objetivo apurar possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master, instituição que passou a ser alvo de questionamentos no Congresso após o surgimento de investigações, representações e pedidos de esclarecimento por parte de parlamentares. A coleta de assinaturas foi concluída nos últimos dias, o que, do ponto de vista formal, habilita o pedido a avançar.

‘Tentativa de esfriar o tema’

Parlamentares favoráveis à CPI avaliam que a postura de Motta revela uma tentativa de esfriar o tema e administrar o custo político de abrir mais uma frente de investigação no Legislativo. Ao empurrar o requerimento para a fila, a Presidência da Câmara evita assumir publicamente a decisão de barrar a comissão, mas também impede que a apuração tenha início.

O próprio Rodrigo Rollemberg tem criticado a possibilidade de a Câmara adiar a instalação da CPI. Em conversa com a reportagem, o deputado afirmou que a não criação da comissão teria impacto negativo para a imagem do Legislativo e poderia reforçar suspeitas de omissão.

“Eu acho que pegará muito mal para a Câmara dos Deputados não instalar a CPI do Banco Master. Ainda que existam outros pedidos de CPI que não foram instalados, essa CPI, em função da gravidade dos fatos que foram revelados, é absolutamente indispensável. A Câmara precisa colocar luz sobre esse processo, dar transparência total, identificar todos os responsáveis e os laços de conivência que permitiram que o Banco Master chegasse aonde chegou. É uma obrigação da Câmara fazer essas apurações, para que não paire nenhuma dúvida sobre omissão ou conivência de parlamentares com os escândalos do Banco Master”, afirmou.

Sem a decisão política do comando da Casa, o requerimento tende a permanecer parado. A leitura é de que, mesmo cumpridas todas as exigências formais, a CPI dependerá exclusivamente do aval da Presidência da Câmara para sair do papel.

A posição de Hugo Motta reforça um padrão recorrente no Legislativo, em que pedidos de CPI com potencial de gerar embates sensíveis acabam submetidos a longas esperas. No caso do Banco Master, a sinalização é de que o requerimento seguirá esse caminho e, por ora, permanecerá na fila de comissões aguardando autorização para ser instalado.

A assessoria do presidente Hugo Motta foi procurada pelo ICL Notícias para comentar as declarações de aliados e afirmou que não iria se manifestar.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail