Ideb 2025 mostra avanços lentos na educação e desafios na matemática

Após perdas provocadas pela pandemia, indicador melhora nas três etapas, mas avanço perde força nos anos finais e no ensino médio
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Por Paulo Saldaña e Isabela Palhares

(Folhapress) – O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) chega em 2025 à maioridade, com 18 anos de divulgações, revelando um cenário de avanços lentos, recuperação de perdas da pandemia, desafios maiores na matemática e sinais de esgotamento da sua função de principal termômetro da educação pública do país.

Os dados de 2025, divulgados nesta quarta-feira (5) pelo MEC (Ministério da Educação), mostram que houve melhora no indicador nas três etapas avaliadas: os anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Tanto o Ideb quanto as notas das provas que compõem o índice registraram avanços com relação à última edição, de 2023. A tendência dos últimos anos permanece: a melhora mais intensa nos anos iniciais vai perdendo força nos anos finais do fundamental e no ensino médio.

Nos anos iniciais (com a avaliação realizada com alunos do 5º ano do ensino fundamental), o Ideb da rede pública passou de 5,7, em 2023, para 6,1 no ano passado, em uma escala de 0 a 10. Foi a primeira vez que o indicador superou a nota 6, tida como objetivo geral do sistema escolar quando o indicador foi criado, em 2007, no segundo mandato do presidente Lula (PT).

O Ideb dos anos finais da rede pública passou de 4,7 para 5 pontos. No ensino médio, a evolução foi de 4,1 para 4,3, levando em conta somente a modalidade regular das redes estaduais, que concentram as matrículas da etapa.

Quando o indicador foi criado, foram calculadas metas para cada etapa no nível de país, rede de ensino e escola. Esses objetivos foram estabelecidos até 2021 e o MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pela avaliação, deveriam renovar o instrumento, incluindo novas metas. Mas nem a gestão Bolsonaro (PL) nem a atual de Lula cumpriram a tarefa até agora.

Na prática, essa já é a segunda edição do Ideb sem novas metas. As de 2021 foram alcançadas nos anos iniciais, mas, tanto nos anos finais quanto no ensino médio, o Ideb 2025 fica abaixo das metas de 2021, apesar do avanço no indicador.

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Os dados do ano de 2025, onde o Ideb completa 18 anos, foram divulgados nesta quarta-feira (5) pelo MEC (Foto: Tania Rego / Agência Brasil)

Os dados

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse nesta quarta que os dados mostram avanços consideráveis, sobretudo quando se olha para a série histórica.

“Olhando a fotografia de 2025 e a de hoje, podemos afirmar que a educação brasileira mudou profundamente, fruto de esforços de toda sociedade brasileira, do Ministério da Educação, dos governos estaduais e municipais”.

Segundo Barchini, mesmo com os problemas que ainda persistem, o Ideb representa como o país “enfrentou os maiores desafios da educação brasileira”: mais estudantes na escola, melhoria na trajetória escolar e melhoria de aprendizado.

O Ideb é calculado a cada dois anos e leva em conta dois fatores: as notas dos alunos em provas de português e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e as taxas de aprovação. A ideia inicial era mensurar o aprendizado dos alunos e a capacidade da escola de aprovar os estudantes.

Mas dados mostram que, de maneira genérica, as redes de ensino têm intensificado a aprovação dos estudantes. Isso impacta em uma maior evolução do Ideb e é visto por especialistas, em alguns casos, como estratégia para inflar os indicadores.

Ainda tem sido prática usual nas redes de ensino a preparação específica de alunos para fazer a prova do Saeb, o que também é criticado.

De acordo com Barchini, cada estado e cada município tem sua estratégia relacionada ao fluxo escolar. “Temos de olhar detidamente esses dados, mas a melhoria do fluxo veio acompanhada da melhora da proficiência em termos gerais”, disse o ministro, durante entrevista coletiva.

O presidente do Inep, Manuel Palácios, disse que um conjunto de evidências indicaria uma diminuição significativa nas taxas de reprovação. “Não há nada que sugira manipulação. Temos mais permanência, mais gente concluindo, mais gente chegando ao final”, disse.

Ao olhar para o rendimento dos alunos nas provas, a situação se mostra mais complicada —sobretudo no ensino médio, um dos gargalos da educação brasileira.

Especialistas defendem alterações no cálculo do indicador para reduzir incentivos a distorções e ampliar a concepção de qualidade da educação.

No ano passado, uma comissão foi montada pelo MEC para elaborar um plano de reformulação do Ideb. Apesar de a proposta ter sido apresentada, a pasta não definiu até agora se irá implementar as mudanças sugeridas.

A nota média de matemática nesta etapa nas redes estaduais chegou a 268,52 em 2025, um avanço de apenas 8,5 pontos desde 2005. Em língua portuguesa, alcançou 273,32, um incremento de 24,63 pontos desde 2005.

Apesar de o indicador ter sido criado em 2007, o MEC calculou notas e índices de 2005, como base de comparação.

A escala do Saeb indica que um avanço de 12 pontos equivale ao aprendizado de um ano. Assim, só em português houve um salto dessa relevância no ensino médio.

Pandemia

Com os avanços acumulados nas duas notas em 2023 e 2025, o país conseguiu recuperar a perda nas notas registradas em 2021, por causa da pandemia. Naquele ano, as médias do ensino médio haviam caído 6,24 pontos em matemática e 2,48, em língua portuguesa, na comparação com 2019.

O ministro da Educação ressaltou que o avanço nos indicadores após a pandemia é positivo, uma vez que vários relatórios apontavam que o país demoraria mais de dez anos para recuperar os níveis de proficiência.

Nos anos finais da rede pública (9º ano), a média de matemática chegou a 256,23 e a de língua portuguesa, a 258,09, também em 2025. O incremento desde 2005 foi maior: de 24,61 pontos e 32,67, respectivamente.

A melhora em 2025, no entanto, não foi suficiente para recuperar a perda da pandemia repetida em 2023 nos anos finais. Já nos anos iniciais, a melhoria nas notas é mais consistente.

As médias chegaram a 227,41 em matemática e 215,09, em língua portuguesa. Essas médias dos anos iniciais da rede pública representam um ganho de cerca de 50 pontos desde 2025 e, no acumulado com 2023, recuperam a perda registrada em 2021 —essa etapa foi a que mais registrou retrocesso de aprendizado no período impactado pela pandemia e fechamento de escolas.

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