Por Rodrigo de Andrade
A proibição das bets no Brasil provocou reação entre influenciadores que tinham no mercado de apostas uma importante fonte de renda: em vez de discutirem apenas os efeitos da medida sobre os apostadores, parte deles passou a se apresentar como diretamente prejudicada pelo fim das plataformas.
Davi Brito, Jon Vlogs, Yuri22 e Thiago Asmar, o Pilhado, estão entre os nomes que criticaram a decisão nas redes sociais, enquanto internautas passaram a ironizar o que classificaram como “vitimização” dos criadores de conteúdo.
A reação ganhou força depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na sexta-feira (25), a Medida Provisória que determina o fim das apostas de quota fixa e dos jogos on-line no país.
Pela medida, os sites e aplicativos devem deixar de funcionar a partir de 6 de outubro. A decisão também atinge diretamente a publicidade do setor, uma das principais fontes de receita de influenciadores que promoviam as plataformas.
Um dos casos que mais repercutiu foi o de Davi Brito. Garoto-propaganda de uma casa de apostas, o campeão do BBB 24 publicou um vídeo questionando se o fim das plataformas regulamentadas realmente faria os brasileiros deixarem de apostar.
“Se você acabar com o mercado regulamentado, o brasileiro vai simplesmente parar de apostar? Vocês acham que o brasileiro vai parar de apostar?”, questionou.
Jon Vlogs também apareceu entre os influenciadores que reagiram negativamente à decisão. O criador de conteúdo tem uma relação ainda mais direta com o mercado: além de ter realizado campanhas para casas de apostas, é associado à Jonbet, plataforma de apostas que leva seu nome.
A manifestação de Jon foi incluída em uma compilação de vídeos de influenciadores que lamentaram o fim das bets. O conteúdo, publicado no X, foi batizado de “Coletânea de choro de influencers com o fim das bets” e virou combustível para piadas sobre os criadores que, diante da perda das plataformas, passaram a ser cobrados por alternativas de trabalho.
O contraste é justamente o que alimentou a repercussão: os mesmos influenciadores que ajudaram a transformar as bets em um produto recorrente nas redes agora aparecem como vítimas da decisão que encerra esse mercado.
Influenciadores partem para ataques contra Lula
Entre os casos mais exaltados está o do streamer Yuri22. Após o anúncio da proibição, ele publicou um vídeo direcionado ao presidente Lula e reagiu com xingamentos ao governo federal. A linguagem usada pelo influenciador destoou do argumento mais institucional apresentado por outros nomes do setor e levou a uma reação marcada por forte tom político.
Durante uma transmissão, o influenciador proferiu ameaça e críticas contra o PT e a base do governo. “Acaba com o cassino que você vai ver”, disse, exaltado.
Yuri também afirmou ter recebido uma proposta de R$ 11 milhões por mês de uma plataforma de cassino chinesa para divulgar o serviço fora do Brasil. Segundo os relatos sobre a declaração, o streamer afirmou ser contra cassinos chineses ilegais, embora tenha usado a proposta como exemplo do tamanho do mercado que, segundo ele, existe fora das fronteiras brasileiras.
Outro nome que entrou na discussão foi o jornalista e influenciador Thiago Asmar, conhecido como Pilhado. Declarado apoiador de Jair Bolsonaro, Asmar é conhecido por posicionamentos políticos de direita e por críticas frequentes a Lula e por calúnias contra apoiadores do governo.
Em vídeo publicado no Instagram, Pilhado afirmou que o fim das bets afeta a empregabilidade envolvendo os clubes e eventos de futebol. O jornalista ainda tentou usar uma suposta lesão causada pela MP ao Flamengo para colocar os torcedores contra o governo federal.
‘Agora vão ter que trabalhar’
Enquanto os influenciadores reclamavam da medida, a reação de parte do público foi praticamente oposta. Vídeos de Jon Vlogs, Davi Brito, Rico Melquiades e outros criadores foram reunidos e transformados em memes. A frase “agora vão ter que trabalhar” passou a circular como provocação aos influenciadores que perderiam contratos ligados às bets.
As críticas também destacaram que muitos dos criadores não eram apenas observadores do mercado, mas garotos-propaganda e, em alguns casos, empresários ligados às próprias plataformas. Por isso, para os críticos, a reação dos influenciadores teria menos relação com uma preocupação abstrata com a liberdade do apostador e mais com a perda de contratos e receitas.
Confira alguns memes publicados nas redes sociais:



