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Por Mariana Brasil

(Folhapress) – O Itamaraty chamou de “intromissão indevida e inaceitável” a última manifestação do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em que o país voltou a criticar o governo brasileiro pelo que chamou de “perseguição” a Jair Bolsonaro (PL). A publicação citava nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o presidente Lula (PT).

“O governo brasileiro deplora e rechaça, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília que caracterizam nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro. Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países”, diz a nota do Ministério das Relações Exteriores.

A publicação do governo americano, postada na noite desta segunda-feira (14), diz que a carta enviada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, anunciando a sobretaxa de 50% a produtos brasileiros, impôs “consequências há muito esperadas ao Supremo Tribunal de Moraes e ao governo Lula”.

Originalmente publicada na conta oficial do representante da diplomacia americana, o recado foi republicado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

carta
Carta dos EUA cita Alexandre de Moraes

Carta dos EUA cita Moraes

“Trump enviou uma carta impondo consequências há muito esperadas ao Supremo Tribunal de Moraes e ao governo Lula, em resposta aos ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio dos EUA. Esses ataques são vergonhosos e desrespeitam as tradições democráticas do Brasil. As declarações do presidente Trump são claras. Estamos acompanhando de perto a situação”, dizia a publicação.

A resposta do governo brasileiro cita as negociações comerciais em curso. Nesta terça-feira (15), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, se reuniu com empresários do setor industrial e do agronegócio para discutir o tema.

Alckmin afirmou que a prioridade do governo é reverter a sobretaxa antes que ela comece a valer, em 1º de agosto, mas disse que pode pedir a prorrogação deste prazo, se for necessário. Os representantes da indústria, por sua vez, defenderam que o Brasil não adote medidas de retaliação.

“No que se refere ao comércio, o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas, desde março, questões relativas a tarifas, de interesse mútuo, e está disposto a dar sequência a esse diálogo, em benefício das economias, dos setores produtivos e das populações de ambos os países”, diz a nota do Itamaraty.

“A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação.”

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